Cometa interestelar 3I/ATLAS emite raios X pela 1ª vez

Detecção inédita de raios X no cometa 3I/ATLAS, observações do telescópio XRISM mostram um halo fraco que se estende por cerca de 400 mil km, com linhas de carbono, nitrogênio e oxigênio
A equipe do telescópio XRISM registrou durante vários dias um brilho de raios X vindo do cometa, um sinal até então não observado em objetos vindos de fora do Sistema Solar.
As imagens mostram um halo fraco, porém consistente, ao redor do núcleo, e a análise espectral indicou elementos leves no gás liberado pela coma.
Os dados reforçam que a emissão tem origem no próprio cometa e não em fontes de fundo, conforme informação divulgada pelo IFLScience e pela equipe do telescópio XRISM.
Como cometas produzem raios X
Em 1996, com a passagem do cometa Hyakutake, cientistas descobriram que esses corpos celestes podem emitir raios X, radiação normalmente associada a eventos altamente energéticos.
O mecanismo é conhecido, ele ocorre quando o plasma solar em alta velocidade atinge a coma do cometa, arrancando elétrons dos átomos do gás e gerando emissões de alta energia.
Portanto, a presença de raios X não é anômala, é uma assinatura da interação entre vento solar e a atmosfera temporária do cometa.
O que o XRISM mediu
As capturas do XRISM foram realizadas entre a noite de 26 e o fim da tarde de 28 de novembro, totalizando 17 horas úteis de observação.
A análise inicial identificou um brilho fraco, porém consistente, que se estende por cerca de 400 mil km ao redor do cometa, e os pesquisadores consideram improvável que esse sinal seja apenas ruído dos instrumentos.
A equipe também detectou assinaturas específicas de carbono, nitrogênio e oxigênio, reforçando que o raio X observado realmente vem do cometa, e não de outras fontes, como a Via Láctea ou a atmosfera terrestre.
Por que a detecção é relevante para objetos interestelares
Quase 30 anos após a primeira detecção de raios X em um cometa, esse tipo de emissão foi observado no objeto interestelar 3I/ATLAS, o que representa a primeira emissão desse tipo detectada em um objeto interestelar.
Além de mais rápido, mais ativo, muito maior e mais antigo que os outros dois visitantes interestelares já detectados, o asteroide 1I/'Oumuamua, em 2017, e o cometa 2I/Borisov, em 2019, o 3I/ATLAS agora se destaca por esse diferencial.
Confirmar que um corpo vindouro de outro sistema pode exibir as mesmas interações com o vento solar que cometas locais ajuda a comparar composição e processos físicos entre ambientes diferentes.
Próximas etapas e contexto da aproximação
Essas medições só puderam ser feitas agora porque, desde que foi descoberto em 1º de julho, o 3I/ATLAS esteve por meses muito próximo do Sol no céu, o que impedia observações seguras em raios X.
Com a mudança de posição do objeto, novos observatórios já podem acompanhá-lo, e resultados adicionais devem surgir nas próximas semanas, enquanto ele se aproxima de sua menor distância da Terra, que será de cerca de 270 milhões de km, em 19 de dezembro.
O seguimento conjunto em comprimentos de onda diferentes, e novas análises dos espectros de XRISM, devem esclarecer a composição detalhada da coma e a dinâmica da emissão de raios X, ampliando nosso entendimento sobre o que visitantes interestelares nos trazem.

