IA no SUS, NoHarm e a farmacêutica que levou o Brasil ao mapa global da inteligência artificial em saúde, detectando erros em prescrições e chegando à Time 100

Como uma ideia nascida em almoços de família em Capão da Canoa virou a NoHarm, tecnologia de IA no SUS que identifica prescrições fora do padrão e alcançou reconhecimento internacional
A conversa começou em um domingo de 2017, em um almoço de família em Capão da Canoa, no litoral gaúcho. O tema era trabalho, e virou projeto quando Ana Helena Ulbrich desabafou sobre a dificuldade de checar centenas de receitas por dia.
Ana Helena, farmacêutica, descrevia a pressão de revisar rapidamente prescrições complexas, e Henrique Dias, cientista da computação, já fazia doutorado e trabalhava com detecção de outliers em algoritmos. Juntos, eles imaginaram treinar uma IA para identificar receitas fora do padrão.
O resultado foi a NoHarm, que chegou ao SUS e colocou o Brasil no mapa da IA global, e, oito anos depois, Ana Helena entrou para a lista da revista Time das cem pessoas mais influentes do mundo em IA, conforme informação divulgada pelo NeoFeed
Da cozinha de família ao hospital
O ponto de partida foi uma rotina de trabalho descrita com clareza por Ana Helena, que enfrentava volumes diários muito altos. "Todos os dias, ela tinha de analisar cerca de duas centenas de prescrições, algumas com mais de 20 medicamentos, em questão de minutos", relata o relato usado como base para o desenvolvimento.
Henrique, com experiência em algoritmos que detectam dados fora do padrão, propôs aplicar a mesma técnica em prescrições médicas. Assim nasceu a NoHarm, com foco em reduzir erros e aumentar a segurança do paciente.
Como funciona a IA no SUS da NoHarm
A solução usa modelos de aprendizado de máquina para identificar padrões incomuns nas prescrições, sinalizando interações, doses fora do esperado e combinações de medicamentos atípicas. A ideia é apoiar farmacêuticos e equipes clínicas, não substituir o julgamento humano.
Com a implantação no SUS, a tecnologia passou a operar em ambientes reais, integrando-se aos fluxos de trabalho hospitalares e ajudando profissionais a revisar grandes volumes de receitas com mais confiança.
Impacto para farmacêuticos e pacientes
A ferramenta traz ganho em eficiência, ao reduzir o tempo gasto na triagem, e em segurança, ao diminuir a chance de erros que afetam o paciente. Para profissionais como Ana Helena, a IA atuou como suporte em situações de alta pressão.
O equilíbrio entre automação e supervisão humana é apresentado como essencial, com a NoHarm servindo como uma camada adicional de checagem, que destaca possíveis problemas para revisão pelos farmacêuticos.
Reconhecimento e o futuro da IA no SUS
O avanço rendeu visibilidade internacional, e a inclusão de Ana Helena na lista Time 100 é um marco simbólico do impacto. A presença da NoHarm no SUS também representa um movimento maior, de projetos brasileiros de tecnologia chegando direto a serviços públicos de saúde.
Para o futuro, os desafios incluem ampliar a base de dados, garantir transparência dos modelos, e escalar a solução para outros hospitais e unidades de saúde, mantendo o foco na segurança do paciente e na colaboração entre IA e profissionais de saúde.
Veja Também:
Revisão de carro antes das férias de fim de ano, o checklist completo para trocar óleo, checar correia dentada, freios, pneus, iluminação e evitar multas e panes
Doença mudou vida de empresário, ele passou a morar nos Alpes
4 peças usadas de PC que valem a pena comprar em 2025
China pode produzir robôs humanoides em massa antes da Tesla
Ataque com drones em Odessa deixa 6 feridos, incluindo crianças
