UE avisa que não aceitará novo aumento de tarifas dos EUA, exige cumprimento do acordo de 2025 e 'total clareza' de Washington

Comissão Europeia exige que os EUA respeitem o pacto de 2025 e diz que não aceitará aumentos de tarifas dos EUA além do teto previamente acordado, pedindo total clareza de Washington
A União Europeia pressionou os Estados Unidos a cumprir integralmente o acordo comercial firmado em 2025, e deixou claro que não aceitará aumentos adicionais de tarifas que não tenham sido negociados.
A declaração da Comissão Europeia pede "total clareza" sobre os próximos passos de Washington e afirma que "um acordo é um acordo", em menção ao pacto assinado no ano passado.
As informações foram divulgadas pela Comissão Europeia em comunicado, após o anúncio da Casa Branca sobre nova alíquota global, conforme informação divulgada pela Comissão Europeia.
O que prevê o acordo de 2025
Segundo o texto do acordo firmado em 2025, os Estados Unidos estabeleceram uma tarifa de 15% para a maioria dos produtos europeus, com exceções para setores como aço e para itens com tarifa zero, como aeronaves e peças.
A União Europeia, em troca, retirou ameaças de retaliação e reduziu tarifas sobre diversos produtos americanos, numa troca de concessões que, na visão do bloco, não pode ser alterada de forma unilateral.
Por que a UE pede "total clareza"
A Comissão disse que produtos europeus "devem continuar a se beneficiar do tratamento mais competitivo, sem aumentos além do teto previamente acordado", e alertou que tarifas imprevisíveis são disruptivas e minam a confiança nos mercados globais.
Não está claro se a nova tarifa global anunciada pelos EUA substitui ou se se soma ao acordo firmado anteriormente. Caso prevaleça o novo modelo, isenções negociadas podem deixar de existir e alíquotas podem incidir sobre tarifas já vigentes.
Reação americana e base legal usada por Washington
Autoridades dos EUA afirmaram que os acordos firmados com parceiros como a União Europeia, China, Japão e Coreia do Sul continuam em vigor. O representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer, disse que os Estados Unidos "vão manter" os acordos e esperam que os parceiros façam o mesmo.
Após decisão da Suprema Corte sobre limites à autoridade presidencial, o presidente anunciou primeiro uma tarifa global de 10%, e no dia seguinte elevou a alíquota para 15%, apoiando-se na Seção 122 da Lei de Comércio de 1974, que permite impor tarifas por até 150 dias sem aprovação prévia do Congresso.
Decisão da Suprema Corte, críticas e riscos
Na sexta-feira, a Suprema Corte dos EUA decidiu, por 6 votos a 3, que as tarifas impostas com base na Lei de Poderes para Emergências Econômicas Internacionais, a IEEPA, eram irregulares e que o presidente havia excedido sua autoridade.
Horas depois, o presidente classificou a decisão como "ridícula, mal redigida e extraordinariamente antiamericana" e afirmou que adotará alternativas legais para manter sua política tarifária.
O comissário europeu de Comércio, Maros Sefcovic, discutiu o tema com representantes do governo americano, e a presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, afirmou que é "criticamente importante" que haja clareza por parte da administração americana.
Consequências para empresas e mercados
Especialistas alertam que a incerteza sobre a aplicação das tarifas dos EUA pode impactar cadeias de suprimento, preços e decisões de investimento, porque empresas e governos planejam com base em regras estáveis.
A União Europeia sinaliza que usará todos os meios diplomáticos e legais para preservar o tratamento acordado, e deixa claro que não aceitará um aumento de tarifas dos EUA sem negociação prévia e garantias formais.
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