Celular pode subir com novo imposto de importação? Marcas como Xiaomi ficam em alerta

Celular pode subir com novo imposto de importação? Veja quais marcas podem ser afetadas
O governo brasileiro decidiu aumentar o imposto de importação para mais de mil produtos, incluindo celulares, em uma medida que visa tornar os itens estrangeiros mais caros e, consequentemente, fortalecer a produção nacional. A elevação das tarifas, que entrou em vigor no início de fevereiro, pode chegar a 7,2 pontos percentuais, impactando diretamente o bolso de consumidores e setores que dependem de importações.
Essa decisão do governo busca reequilibrar os preços entre produtos importados e aqueles fabricados no Brasil, já que o mercado de eletrônicos brasileiro apresenta uma forte dependência de itens estrangeiros. Conforme nota técnica do Ministério da Fazenda, a China lidera as importações desses bens, concentrando 46% do total, seguida pelo Vietnã com 7,9%.
A medida, no entanto, pode não afetar as marcas que já possuem produção local. A Apple, Samsung e Motorola, por exemplo, montam seus aparelhos no Brasil, mesmo que as peças venham de outros países. A dúvida recai sobre marcas como a Xiaomi, que não possui essa estrutura no país. O g1 buscou contato com a empresa para comentar a decisão do governo, mas aguarda retorno. As informações são do g1.
Produção nacional protege grandes marcas
Grandes nomes do mercado de smartphones, como Samsung, Motorola e Apple, já realizam a montagem de seus aparelhos no Brasil. Essa prática, segundo Eduardo Tude, presidente da consultoria Teleco, significa que os celulares dessas marcas vendidos no país não sentirão o peso do aumento do imposto de importação. Apesar de não fabricarem todos os componentes no Brasil, a montagem final ocorre aqui, o que as isenta do impacto direto da nova tarifa.
A Apple, por exemplo, utiliza a Foxconn, em São Paulo, para montar os iPhones que chegam ao consumidor brasileiro. Já a Samsung confirmou que sua nova linha Galaxy S26 também será montada no país. A Vivo Mobile, conhecida como Jovi no Brasil, também tem acordo com a GBR Componentes para produção na Zona Franca de Manaus.
Xiaomi e outras importadoras na mira
A situação é diferente para marcas que não possuem plantas de montagem no Brasil, como a Xiaomi. Para esses casos, o novo imposto de importação pode significar um aumento no custo final dos produtos, tornando-os menos competitivos em relação aos fabricados localmente. O g1 aguarda posicionamento da Xiaomi sobre o impacto da nova política.
Roberto Beninca, advogado tributarista, explica que o aumento das alíquotas pode chegar a 7,2 pontos percentuais. Ele exemplifica o impacto com um aparelho de US$ 600. Com um dólar a R$ 5, o custo seria de R$ 3 mil. Se o imposto de importação subisse de 16% para 23,2%, o valor do tributo saltaria de R$ 480 para R$ 696, elevando o custo inicial de R$ 3.480 para R$ 3.696. É importante notar que este é apenas o custo inicial, pois sobre ele incidem outras taxas e margens de lucro.
Demanda por importados persiste, mas com ressalvas
Apesar da produção nacional crescente, ainda há demanda por celulares importados no Brasil, como aponta Roberto Beninca. O consumidor que opta por importar leva em conta não apenas a disponibilidade, mas também preço, tecnologia e percepção de valor. Muitas vezes, aparelhos importados oferecem um melhor custo-benefício, com especificações superiores por preços similares ou até inferiores aos praticados no mercado interno.
No entanto, o novo imposto de importação pode alterar essa equação. O aumento do custo inicial, somado a outros tributos e margens comerciais, pode tornar a importação menos vantajosa. A crise global na oferta de memória RAM, impulsionada pela demanda por chips de inteligência artificial, também pode agravar a situação, elevando os custos de produção e importação de forma geral.
Arrecadação e metas fiscais
O governo espera arrecadar R$ 14 bilhões a mais neste ano com a elevação do imposto de importação sobre os mais de mil produtos incluídos na medida. Essa arrecadação adicional é vista como crucial para o cumprimento da meta de superávit nas contas públicas. Desde o início de seu terceiro mandato, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem implementado diversas medidas para reequilibrar as finanças do país.
A lista de produtos com imposto de importação elevado inclui uma variedade de itens, como telefones inteligentes, reatores nucleares, caldeiras, turbinas, motores para aviação, máquinas industriais diversas, tratores e embarcações. A intenção é clara: estimular a produção local e reduzir a dependência de mercados estrangeiros.
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