Clube dos cinco do chavismo em xeque após prisão de Nicolás Maduro e Cilia Flores, incerteza entre Delcy, Jorge Rodríguez e Diosdado Cabello

Como fica o clube dos cinco do chavismo depois da captura de Nicolás Maduro e Cilia Flores, com Delcy e Jorge Rodríguez e Diosdado Cabello disputando influência, lealdade militar e a sobrevivência do regime
A detenção de Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, colocou em xeque o equilíbrio interno do chavismo, que concentra poder há quase três décadas.
Com dois dos seus nomes mais visíveis fora do tabuleiro, surge a dúvida sobre quem vai comandar as decisões cruciais, e se o arranjo entre os líderes vai resistir à pressão externa e às tentativas de enfraquecimento mútuo.
As informações e citações usadas nesta reportagem foram obtidas a partir de material da AFP, conforme informação divulgada pela AFP.
O núcleo do poder e a saída de Maduro e Cilia
Desde 2013 Maduro vinha comandando a Venezuela com o apoio direto de estruturas herdadas de Hugo Chávez, e sua prisão em 3 de janeiro por forças americanas mudou radicalmente a cena política, incluindo a imagem global da liderança venezuelana.
A fotografia de Maduro algemado e com os olhos cobertos circulou internacionalmente, e o episódio foi comparado ao momento em que Manuel Noriega se entregou às tropas americanas em 1989, segundo a AFP.
Ao longo dos anos Maduro construiu um aparato simbólico ao seu redor, com murais, filmes e até um boneco conhecido como "Super Bigote", além de mensagens públicas como "Ninguém me para", o que reforça a dimensão pessoal do poder que agora está fragilizada, segundo a AFP.
Delcy e Jorge Rodríguez, a ala pragmática em posição-chave
Os irmãos Delcy e Jorge Rodríguez sempre estiveram entre os aliados mais próximos de Maduro e hoje ocupam posições estratégicas, com Delcy controlando áreas da economia e do petróleo, e Jorge presidindo o Parlamento.
Ambos têm histórico de atuação nos bastidores como operadores políticos, combinando discurso agressivo com negociações internacionais, e são apontados por analistas como centrais em expurgos internos, incluindo o caso que levou à prisão de Tareck El Aissami em 2023, citado pela AFP.
Esse peso torna a dupla uma peça essencial na tentativa de manter a coesão, mas também coloca os irmãos em competição com setores mais duros, em uma dinâmica na qual a ausência de Maduro amplia incertezas.
Diosdado Cabello, o homem forte da repressão e o risco de extradição
Diosdado Cabello é visto como a face mais dura do chavismo, e chefiou o Ministério do Interior em momentos de forte repressão, como nas prisões de cerca de 2.400 pessoas durante os protestos após a reeleição contestada de 2024, conforme relato da AFP.
Especialistas situam Cabello no setor radical do regime, e há tensões apontadas com a ala pragmática liderada pelos irmãos Rodríguez, embora os protagonistas neguem disputas abertas.
Cabello também é alvo nos Estados Unidos, onde "A Justiça americana oferece uma recompensa de US$ 25 milhões por sua captura.", segundo a AFP, o que torna a possibilidade de extradição um fator que pode alterar decisões internas e níveis de risco pessoal para os líderes.
Cenários possíveis e a prioridade anunciada do regime
Fontes diplomáticas citadas pela AFP chegaram a descrever o comando como "É como um clube de cinco pessoas", indicando que todos tinham voz, mas que era Maduro quem mantinha o equilíbrio, e que "Agora que ele saiu de cena, é impossível prever como esse arranjo vai se sustentar."
Até o momento, as Forças Armadas declararam "lealdade absoluta" ao governo sob o comando do ministro da Defesa, general Vladimir Padrino, e não foram observadas fissuras públicas no núcleo do poder, de acordo com a AFP.
Para analistas, a dinâmica a curto prazo estará centrada na sobrevivência do governo, conforme a avaliação de Antulio Rosales, que afirmou que "A prioridade central do governo agora é a própria sobrevivência".
O futuro do clube dos cinco do chavismo dependerá, portanto, da capacidade das lideranças remanescentes de negociar entre si, de manter apoio militar e de resistir a pressões externas, em um cenário marcado por risco de fragmentação, disputas por influência e decisões com impacto direto na estabilidade do regime.
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