Como a extração de dados de celulares da PF funciona na prática

A Polícia Federal consegue acessar arquivos e mensagens em aparelhos com iOS e Android mesmo quando eles estão bloqueados ou desligados.
Para impedir que dados sejam apagados remotamente, os peritos isolam os aparelhos e usam ferramentas e métodos especializados.
As informações sobre esses procedimentos foram divulgadas, conforme informação divulgada pelo g1.
Isolamento do aparelho e por que ele é crucial
Antes de qualquer extração, o dispositivo é colocado em um recipiente que funciona como uma Gaiola de Faraday, com revestimento metálico que bloqueia sinais como Wi-Fi e rede móvel.
Segundo o perito Wanderson Castilho, "O equipamento fica ligado, mas não consegue se comunicar com o Wi-Fi, com a antena da rede de celular. Não há contato com o mundo exterior, o que é o ideal".
Ferramentas que contornam bloqueios e como atuam
Programas como o israelense Cellebrite e o americano Greykey conseguem, em muitos casos, descobrir a senha de bloqueio e baixar informações ao se conectar por cabo USB.
A licença de programas como Greykey e Cellebrite pode custar cerca de US$ 50 mil por ano (R$ 270 mil), revelou Castilho.
Peritos dizem que a extração deve ser feita o quanto antes, porque alguns registros que ajudam a acessar o material ficam em uma espécie de memória temporária do aparelho.
É o caso da senha de bloqueio da tela, que é salva.
O que é feito quando o aparelho está desligado ou danificado
Quando o celular está desligado ou fisicamente danificado, equipes recorrem a técnicas como o chip off, em que componentes, principalmente a memória, são desmontados do aparelho.
Castilho descreve o processo, "O celular está desligado daquela forma como vemos a tela, mas você precisa mandar pulsos elétricos para fazer a extração".
Ele também detalha, "Desmonta, tira a tela, pega os componentes, principalmente a memória, e faz uma espécie de remontagem para fazer a extração".
Riscos, limitações e respostas dos fabricantes
Fabricantes atualizam sistemas para dificultar a extração, e há relatos de mecanismos que reiniciam ou desligam o aparelho automaticamente para impedir o acesso.
A empresa que criou o Greykey disse em 2024 que "uma atualização no iPhone faz o aparelho se desligar e ligar por conta própria se estiver bloqueado por mais de três dias".
Apesar das barreiras, peritos combinam isolamento, ferramentas especiais e, quando necessário, intervenções físicas para preservar e recuperar dados relevantes para investigações.
Veja Também:
Celular Molhou? O Que Fazer e o Que NÃO Fazer para Salvar seu Smartphone
Portabilidade de Consignado CLT pelo celular, passo a passo para transferir seu Empréstimo Consignado CLT, reduzir juros, renegociar parcelas e usar troco a partir de R$ 50
Suécia entra na onda global e quer banir celulares em escolas do fundamental ao médio
Fragmento CS2 reduz dano celular na doença de Parkinson, estudo
Seu celular é um scanner: Digitalize documentos grátis no Android e iPhone
