Confirmado planeta errante a 10 mil anos-luz, massa medida

Uma equipe de astrônomos conseguiu, pela primeira vez, confirmar que um objeto solitário é de fato um planeta errante, ao determinar com precisão sua distância e sua massa.
O corpo tem tamanho próximo ao de Saturno e não orbita nenhuma estrela, ele foi detectado na direção do centro da Via Láctea.
Os detalhes da descoberta foram publicados em 1º de janeiro na revista científica Science, conforme informação divulgada na revista Science.
O que é um planeta errante
Planetas errantes são mundos que vagam sozinhos pelo espaço, sem estarem ligados a estrelas. Evidências sobre esse tipo de objeto começaram a aparecer no ano 2000, mas, até agora, faltavam medidas precisas de massa e distância para confirmar sua natureza.
Ao contrário de planetas que orbitam estrelas, esses corpos não emitem luz suficiente para serem observados diretamente com os telescópios atuais, por isso permanecem pouco compreendidos.
Como a descoberta foi feita
A detecção usou o efeito de microlente gravitacional, quando o campo gravitacional do planeta amplifica temporariamente o brilho de uma estrela de fundo ao passar à sua frente.
O evento, registrado com as designações KMT-2024-BLG-0792 e OGLE-2024-BLG-0516, foi observado simultaneamente da Terra e do espaço, com apoio de observatórios terrestres e do telescópio Gaia, já aposentado.
Com observações a partir de dois pontos diferentes, os pesquisadores conseguiram triangular a posição do objeto, estimando que ele está a cerca de 9.950 anos-luz da Terra, e calcularam sua massa em aproximadamente 70 vezes a da Terra.
Para comparação, Saturno possui cerca de 95 massas terrestres, o que ajuda a situar o tamanho deste planeta errante.
Por que esses planetas podem ser comuns
Os cientistas afirmam que interações caóticas em sistemas planetários jovens podem expulsar mundos para o espaço interestelar, e a passagem de estrelas próximas também pode desestabilizar órbitas.
Há ainda a possibilidade de alguns desses objetos se formarem de maneira isolada, a partir das mesmas nuvens de gás e poeira que geram estrelas.
Segundo Andrzej Udalski, da Universidade de Varsóvia, "esse tipo de planeta pode existir em número até maior que o de estrelas na Via Láctea", conforme declarado ao site Space.com.
Subo Dong, professor da Universidade de Pequim, afirmou que "a confirmação desse novo objeto reforça a ideia de que a galáxia pode estar repleta desses mundos solitários", ressaltando a importância da medição precisa da distância e da massa.
Próximos passos na busca por planetas errantes
Novos telescópios espaciais prometem ampliar as descobertas. O Nancy Grace Roman Space Telescope, da NASA, com lançamento previsto para 2026, deve varrer grandes áreas do céu em infravermelho com rapidez muito superior à do Hubble.
Outro projeto citado é o satélite chinês Earth 2.0, planejado para 2028, que também buscará planetas errantes. Os cientistas esperam que essas missões tornem possível mapear melhor a população desses mundos solitários.
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