Formação de estrelas em queda, o Universo está 'cansado': por que o cosmos cria cada vez menos estrelas, 95% já nasceram e o futuro é gelado

O Universo parece estar, aos poucos, criando cada vez menos estrelas. Nas nuvens de gás e poeira, onde nascem as estrelas, há menos material e menos calor de poeira, sinais de que a formação de estrelas desacelerou.
Esse declínio não significa que as estrelas estejam desaparecendo agora, mas que novas estrelas surgem com menos frequência do que no passado, quando o processo era muito mais intenso.
Os dados e as conclusões sobre essa mudança foram reunidos em reportagens e estudos citados a seguir, conforme informação divulgada pela BBC.
Por que a formação de estrelas caiu tanto
A maior parte das estrelas se formou no passado, quando galáxias tinham mais gás frio disponível para colapsar em nebulosas. A chamada fase estável de uma estrela, a sequência principal, reúne cerca de 90% das estrelas conhecidas, incluindo o Sol.
Pesquisas indicam que a taxa de formação estelar atingiu seu pico há cerca de 10 bilhões de anos, no período apelidado de Meio-dia Cósmico. Desde então, galáxias vêm convertendo gás em estrelas com cada vez menos eficiência, e o material necessário para gerar novos astros tem se esgotado.
O que dizem os estudos e os astrônomos
Em 2013, uma equipe internacional concluiu que 95% de todas as estrelas que existirão já nasceram, estudo citado pelo Subaru Telescope, e o astrônomo David Sobral afirmou, conforme o mesmo levantamento, "Claramente, estamos vivendo em um Universo dominado por estrelas antigas".
Observações recentes reforçam essa tendência. O cosmólogo Douglas Scott, da Universidade da Colúmbia Britânica, no Canadá, aponta que dados dos telescópios Euclid e Herschel, da Agência Espacial Europeia, mostram queda no calor da poeira estelar, um indicador da formação de novas estrelas.
Segundo Scott, "Já ultrapassamos em muito o tempo máximo de formação estelar, e haverá cada vez menos novas estrelas em cada geração", explicando que cada ciclo sucessivo de nascimento estelar tem menos combustível disponível.
Quantas estrelas existem e quanto tempo isso vai durar
Estima-se que existam até um septilhão de estrelas, ou seja, 1 seguido de 24 zeros. As primeiras surgiram pouco depois do Big Bang, há cerca de 13,8 bilhões de anos, e o processo de formação seguiu até o pico, depois entrou em declínio.
Apesar do esgotamento gradual do material, novas estrelas ainda vão nascer por um período muito longo. As estimativas indicam que haverá formação estelar nos próximos 10 a 100 trilhões de anos, muito depois do fim do nosso Sol.
O futuro distante: o 'Grande Congelamento'
Com a expansão contínua do Universo, a energia se dispersa e o cosmos tende a esfriar. Estrelas antigas podem reciclar parte de seu material, mas esse mecanismo perde eficiência ao longo do tempo.
O cenário previsto por essa tendência é o da morte térmica, ou "Grande Congelamento", quando não haverá mais material suficiente para gerar estrelas novas. Estudos e cálculos, incluindo os da Universidade Radboud, na Holanda, estimam que o "apagão total" do Universo só deve acontecer em cerca de um quinvigintilhão de anos, ou 1 seguido de 78 zeros.
Em resumo, a formação de estrelas caiu drasticamente desde o pico cósmico, hoje dominam estrelas antigas e frias, e a tendência de produção menor de novos astros deve se manter por tempos imensos, embora esse fim esteja muito distante.
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