Funcionários dos Correios entram em greve em 9 estados, incluindo São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, e pedem reposição salarial diante de rombo bilionário

Funcionários dos Correios deflagraram uma greve por tempo indeterminado em nove estados nesta quarta-feira, motivada pela falta de um acordo coletivo com reposição salarial e pela resistência a medidas da estatal.
O movimento envolve unidades em estados populosos, e os trabalhadores pedem a manutenção de direitos históricos, reposição da inflação, adicional de 70% nas férias, e o pagamento de um "vale-peru" de R$ 2.500.
A empresa, por sua vez, diz que segue operando e adotou contingências para mitigar impactos nas localidades afetadas, enquanto tenta viabilizar um plano de reestruturação financeira.
conforme informação divulgada pela Rádio Itatiaia.
Onde a greve foi confirmada e adesão
A adesão à greve foi confirmada em bases estratégicas, incluindo os estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, além do Ceará, Paraíba, Mato Grosso, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.
Apesar da paralisação, os Correios informaram que "91% do efetivo total da empresa permaneceu em atividade nesta quarta-feira", e que das 36 entidades sindicais que representam a categoria, "Dos 36 sindicatos que representam a categoria, 24 decidiram não aderir à paralisação", conforme nota citada pela Rádio Itatiaia.
Reivindicações e proposta do Tribunal Superior do Trabalho
Os trabalhadores reivindicam a manutenção de direitos históricos, reposição da inflação, adicional de 70% nas férias, e o pagamento de um "vale-peru" no valor de R$ 2.500, segundo o Sindicato dos Trabalhadores da Empresa Brasileira de Correios Telégrafos e Similares, Sintect-SP.
O Tribunal Superior do Trabalho, por sua vez, apresentou uma proposta para tentar encerrar o impasse, "O Tribunal Superior do Trabalho (TST) apresentou uma proposta de Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) para o biênio 2025/2026", que busca preservar benefícios e assegurar estabilidade dos empregados por dois anos.
A proposta do TST será avaliada em assembleias pelas federações de trabalhadores, e pode ser decisiva para o fim da paralisação, caso seja aceita pela categoria.
Operação e o quadro financeiro dos Correios
Os Correios enfrentam uma crise financeira profunda, e apenas no primeiro semestre de 2025, "o rombo registrado foi de R$ 4,5 bilhões", segundo dados divulgados à imprensa.
Para reduzir o prejuízo, o plano de reestruturação da empresa prevê o fechamento de até 1 mil unidades deficitárias, um programa de demissão voluntária e a venda de imóveis para arrecadar R$ 1,5 bilhão, além da busca por um empréstimo de R$ 12 bilhões com um consórcio de bancos.
Essas medidas, segundo a administração dos Correios, são necessárias para tentar recuperar a lucratividade da estatal, prevista apenas para 2027.
O que muda para usuários e próximos passos
No curto prazo, a estatal diz que as agências continuam funcionando e que as entregas seguem normalmente no território nacional, embora ocorram pontos de paralisação em estados-chave que podem afetar a operação local.
O desfecho depende da continuidade das negociações, da deliberação das assembleias sobre a proposta do TST, e da capacidade da empresa em equilibrar cortes e medidas financeiras sem agravar o conflito com os funcionários dos Correios.
Se a categoria rejeitar a proposta do TST, a greve pode se estender, pressionando entregas e serviços, e forçando novas rodadas de negociação entre a empresa, tribunais e sindicatos.
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