Linha 7-Rubi vira laboratório de IA, TIC Trens e Inteli testam protótipos de controle de acesso e detecção em trem de São Paulo

A maior linha ferroviária da capital paulista vem se transformando em um ambiente de inovação, com estudantes levando da sala de aula para os trilhos soluções de inteligência artificial e Internet das Coisas.
Ao longo de dois meses e meio, cinco grupos de universitários trabalharam no desenvolvimento de produtos mínimos viáveis, com acompanhamento técnico quinzenal da concessionária, pensando em controlar acesso e aumentar a segurança operacional.
Os protótipos foram apresentados nesta sexta-feira, 19 de dezembro de 2025, à presidência da concessionária, e agora serão avaliados para testes em campo, conforme informação divulgada pelo g1.
Do laboratório para a Linha 7-Rubi
A Linha 7-Rubi tem 57 quilômetros de trilhos e atende até 400 mil passageiros por dia, e desde 26 de novembro a operação passou a ser conduzida pela concessionária TIC Trens.
Com a intenção de aproximar universidade e operação, a TIC Trens firmou parceria com o Inteli, instituto de ensino superior focado em tecnologia e pertencente ao mesmo grupo que controla a EXAME, para que estudantes desenvolvessem soluções experimentais aplicáveis à ferrovia.
O desafio entregue aos alunos foi direto, criar um sistema tecnológico e auditável de controle de acesso a áreas restritas, como trilhos, pátios e centros de comando, com prioridade para soluções de fácil implementação, usando o modelo de MVP, produto mínimo viável.
Protótipos, custos e tecnologias
Entre as propostas apresentadas estão o Argus, um sistema de check-in com câmeras, algoritmos de reconhecimento e dashboards de controle, e o TiConecta, que utiliza IA para identificar pessoas e objetos na via férrea em tempo real.
Um ponto que chamou atenção foi o custo estimado, com o Argus podendo sair do papel por cerca de R$ 400, o que favorece testagem rápida e escalável, segundo os relatórios dos projetos.
A cada quinze dias, técnicos da TIC Trens acompanharam o avanço dos cinco grupos formados por estudantes de primeiro ano de cursos como Engenharia de Computação, Engenharia de Software, Ciência da Computação, Sistemas de Informação e Administração com foco em tecnologia.
Formação prática, erros e entregas
O método do Inteli valoriza o contato precoce com o mundo real, e a experiência incluiu negociações com a concessionária, prazos curtos e decisões incompletas, para preparar os alunos para a rotina do setor.
Sobre a iniciativa, Pedro Moro, CEO da TIC Trens, afirmou, "Pensar inovação dentro de uma área supercentenária como a ferrovia e, ao mesmo tempo, trazer juventude, escola e possibilidades reais de implantação é algo fantástico, Todos saem ganhando".
O estudante Carlos Ícaro Paiva, de 19 anos, que deixou Manaus para estudar com bolsa integral e participou do projeto, disse, "O fato de saber que o que fizemos poderia ser implementado de verdade fez todo mundo se engajar ainda mais, A gente não estava desenvolvendo por desenvolver, Era algo que podia ir para o mundo real".
A professora Fabiana Martins ressalta a importância de expor alunos a falhas e negociações reais, "A gente precisa ensiná-los a conversar com parceiros reais, a apresentar problemas sem medo", e defende que o aprendizado através dos erros é essencial para formar profissionais prontos para desafios operacionais.
Próximos passos e perspectiva operacional
Agora a presidência da TIC Trens avalia quais soluções serão testadas em campo, com prioridade para protótipos que comprovem viabilidade técnica e custo-benefício, e que possam ser auditados operacionalmente.
Se aprovados os testes, as tecnologias desenvolvidas pelos universitários podem acelerar a adoção de IA e IoT na segurança ferroviária, mostrando que inovação de baixo custo pode sair da universidade e chegar rapidamente aos trilhos.
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