Lula propõe cooperação com os EUA para colocar os magnatas da corrupção na cadeia, e vai negociar com Trump combate ao narcotráfico e lavagem de dinheiro

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que pretende aprofundar a cooperação com os Estados Unidos no combate ao crime organizado durante encontro com Donald Trump marcado para março.
Lula afirmou que o objetivo é atuar contra narcotráfico, tráfico de armas e lavagem de dinheiro, e que está disposto a qualquer iniciativa que "coloque os magnatas da corrupção na cadeia".
O tema foi tratado em coletiva após visita de Estado à Índia, e o presidente citou operações envolvendo o setor de combustíveis como exemplo do tipo de investigação que deve ser compartilhada com Washington.
conforme informação divulgada pelo g1
O que Lula propõe na reunião com Trump
O presidente afirmou, segundo a reportagem, que vai levar para a conversa com Trump propostas concretas de cooperação entre órgãos brasileiros e americanos. "Eu disse ao presidente [Trump] que estamos dispostos a trabalhar com os Estados Unidos no combate ao narcotráfico, no tráfico de armas, na lavagem de dinheiro", declarou Lula.
Na estratégia anunciada pelo presidente, estarão envolvidas a Polícia Federal, o Ministério da Justiça e o Ministério Público, e haverá pedido para que o Departamento de Justiça dos EUA também participe das negociações, com o objetivo de formalizar convênios e trocas de informação.
Alvo, método e exemplo prático citado pelo presidente
Lula destacou que os alvos principais não são moradores de favelas, e que os "magnatas" vivem em áreas nobres, dentro e fora do Brasil. Ele disse textualmente, "Qualquer coisa que puder colocar os magnatas da corrupção na cadeia, eu estou disposto a trabalhar."
O presidente também afirmou, conforme a matéria, que "esses magnatas não moram na favela", e completou, "Eles moram em cobertura, moram nos bairros mais ricos do Brasil e nos bairros mais rico dos Estados Unidos".
Como exemplo de investigação que envolveu autoridades americanas, Lula citou uma operação no setor de combustíveis: "Bloqueamos 250 milhões de litros de gasolinas em cinco navios, entregamos para a Petrobras, essa pessoa [responsável pelo crime] mora em Miami. Mandamos para o presidente fotografias da casa dele, o nome dele e queremos essa pessoa do Brasil", afirmou.
O presidente disse ainda que as informações já foram encaminhadas oficialmente, "Já conversei disso três vezes com o presidente tanto por telefone e já mandamos para ele uma relação das coisas que nós queremos fazer, já mandamos o documento da receita federal. Já mandamos fotografia, já mandamos em nome de pessoas".
Visão sobre o crime organizado e próximos passos
Para Lula, o crime organizado se transformou numa "indústria multinacional" com ramificações em várias esferas: "Se tem uma coisa que nós precisamos trabalhar junto é combater o crime organizado, que é uma indústria multinacional altamente sofisticada, com braço no poder Judiciário, com braço no futebol, com braço na política, com braço no empresariado, com braço em todos os locais da humanidade", disse o presidente.
O chefe do Executivo declarou que, onde ele for, a Polícia Federal irá atrás, "Onde eu for, a Polícia Federal vai atrás. Precisamos fazer convênios para combater o crime organizado e o narcotráfico", e reafirmou otimismo com a reunião em Washington, "Então, estou muito otimista com essa reunião com Trump para a gente colocar as coisas bem a nu, para todo mundo saber o que que nós queremos saber".
O encontro em março servirá para formalizar pedidos e trocar documentos e provas, segundo Lula, com o objetivo de agilizar investigações transnacionais e, quando possível, obter cooperação para localizar e responsabilizar suspeitos que estejam fora do Brasil.
Desafios e expectativas
Especialistas destacam que acordos internacionais envolvem exigências legais, pedidos formais de cooperação e eventuais processos de extradição, e que, mesmo com boa vontade política, há rito jurídico a ser cumprido entre os países.
Na avaliação do governo, reunir autoridades brasileiras com equivalentes americanos, e enviar provas e pedidos formais, pode acelerar ações contra redes que atuam entre fronteiras, sobretudo em crimes financeiros, lavagem e logística do tráfico.
O presidente afirmou que levará o ministro da Justiça e representantes da área jurídica e investigativa para as conversas, com a intenção de transformar a cooperação em instrumentos práticos de investigação e de responsabilização, inclusive para os chamados magnatas da corrupção.
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