Pastelaria Brasileira resistiu mais de dez anos e quase barrou expansão do Bourbon Pompeia, Zaffari fecha permuta e mantém a pastelaria no mesmo quarteirão

Como a Pastelaria Brasileira virou obstáculo e, depois de permuta, garantiu novo ponto a 50 metros do atual, enquanto o grupo Zaffari avança na expansão do Bourbon Pompeia
A esquina entre a Rua Palestra Itália e o Allianz Parque sempre foi palco de shows e grandes jogos, e no centro desse movimento está a Pastelaria Brasileira.
Há décadas o estabelecimento resiste à pressão da especulação imobiliária, atraindo clientes em dias de evento e alimentando planos de expansão do shopping vizinho.
O desenlace da disputa pelo terreno veio após uma negociação por permuta, que garante à pastelaria um novo espaço ainda no mesmo quarteirão, conforme informação divulgada pela EXAME.
Uma resistência na Pompeia
Desde 1975 a Pastelaria Brasileira é ponto de encontro na Rua Palestra Itália, fundada por uma família de portugueses e comprada em 1996 pelos atuais donos. O local se consolidou como reduto de torcedores do Palmeiras e como parada obrigatória em dias de show.
Na rotina do estabelecimento, os números são claros, de segunda a quarta, a pastelaria vende cerca de 2 mil salgados por dia, de sexta e fim de semana, o número vai a 3,5 mil, e em dias de jogo, o número aumenta ainda mais, em 50%.
O relato de quem circula pela área mostra a movimentação, "Essa pastelaria aí deve lucrar, viu. Tá sempre cheia de gente em dia de show e jogo. Fora que vira e mexe venho buscar gente comprando caixas e caixas de salgado", disse um motorista de aplicativo ao ser ouvido no local.
Negociações que duraram mais de uma década
O Grupo Zaffari identificou o terreno da pastelaria como peça-chave para a expansão do Shopping Bourbon Pompeia, empreendimento nascido após a compra e demolição do antigo Shopping Matarazzo, que levou à inauguração do Bourbon em 2008.
Desde então, o grupo foi adquirindo lotes ao redor, e só restava a lanchonete, que ainda detinha a matrícula do térreo do prédio de dois andares. A empresa tentou comprar o imóvel diversas vezes, desde 2013, sem avançar nas negociações.
A conclusão da negociação veio após mais de dez anos, por meio de uma permuta, e incluiu uma condição importante feita pelos proprietários da pastelaria, a permanência no mesmo quarteirão.
O acordo e as condições da permuta
Segundo o diretor do grupo, Claudio Luiz Zaffari, "Oferecemos um terreno na ponta do lote e uma reforma. A nova loja vai ficar maior e vai ganhar vagas para carros. Mas em compensação, liberou o terreno para o nosso novo prédio, que deve ser ligado por uma passarela ao shopping. A gente tem que ter uma visão mais de cima para poder entender o negócio, e isso pode demorar".
O acordo prevê que a Pastelaria Brasileira será relocada a cerca de 50 metros do endereço atual, em torno do número 467, com espaço maior e vagas para carros, e o restante do lote será incorporado à expansão do Bourbon Pompeia.
Do lado dos donos da pastelaria, o sócio Zezito Brito Bonfim afirmou, "Agora, vamos ficar bem em frente à saída do Bourbon. A negociação foi tranquila e topamos na hora. Para nós, ter um espaço maior é fundamental".
O que muda para a região e para a pastelaria
Com a permuta, o Grupo Zaffari avança na ocupação contígua do lote, o que facilita a ligação entre as áreas do shopping e o novo prédio por uma passarela, e potencializa o fluxo de clientes, especialmente em dias de eventos no Allianz Parque.
Para a Pastelaria Brasileira, a mudança traz promessa de aumento de capacidade, infraestrutura para entregas e estacionamento, itens considerados essenciais pela equipe diante do movimento intenso, com fila de motos e atendimento constante em dia de jogo.
A data da mudança não foi definida, mas os sócios esperam que a nova unidade esteja pronta em breve, permitindo que o tradicional ponto da Pompeia continue a servir sua clientela e a integrar a nova configuração do quarteirão.
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