Por que o yuan barato virou dilema global, FMI vê 16% de desvalorização real e alerta sobre impacto no comércio de EUA e UE

O valor da moeda chinesa está no centro de uma disputa econômica global, porque um yuan barato tornou os produtos da China mais competitivos no exterior, ao mesmo tempo em que pesa sobre o consumo doméstico.
Internamente, a economia chinesa arrasta efeitos do colapso do setor imobiliário e uma recuperação fraca, fatores que ajudam a explicar a recente tendência do câmbio real.
As informações constam de reportagem da revista The Economist, que se baseia em relatório do Fundo Monetário Internacional, conforme informação divulgada pela revista The Economist com base em relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI).
Por que o yuan está abaixo do equilíbrio
O FMI estima que o yuan esteja aproximadamente 16% desvalorizado em relação ao que seria necessário para equilibrar a economia mundial, essa, segundo o levantamento, é a maior discrepância registrada desde 2011. A raiz do problema não é apenas cambial, mas reflexo de choques internos.
O colapso do setor imobiliário, ocorrido há quatro anos, deixou cicatrizes, e os preços industriais na China, medidos pelo produtor, caem há 40 meses consecutivos, o que ajuda a sustentar um câmbio real mais competitivo.
Consequências externas e tensões comerciais
O efeito é um boom de exportações, que sustenta a atividade chinesa, porém provoca alertas entre parceiros comerciais. O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos monitora sinais de manipulação cambial, e a União Europeia critica o que chama de competição desleal, planejando taxar pequenos pacotes de e-commerce vindos da China a partir de julho.
Um indicador dessa má calibração é o superávit em conta corrente, enquanto modelos do FMI sugerem que a China deveria ter um superávit de 0,9% do PIB, o valor real atingiu 3,7% no ano passado.
Diagnóstico e recomendações do FMI
Sonali Jain-Chandra, chefe da missão do FMI para a China, afirma que a inflação do país está "desconfortavelmente baixa", o que torna os produtos chineses muito competitivos no exterior, mas prejudica o consumo interno.
Para corrigir o desalinhamento sem provocar choque que prejudique a recuperação, o FMI propõe mudança na política fiscal de Pequim, sugerindo reduzir subsídios industriais e direcionar recursos para o bem-estar social, com o objetivo de desbloquear a alta poupança das famílias e estimular o consumo.
Segundo a projeção citada pela The Economist, esse pacote de estímulos poderia elevar o crescimento anual chinês em meio ponto percentual nos próximos cinco anos, além de reduzir a pressão deflacionária e ajudar a equilibrar o comércio global.
Riscos e cenário adiante
Alguns analistas levantam dúvidas sobre os dados oficiais, por exemplo Brad Setser, do Council on Foreign Relations, observa que os rendimentos dos ativos estrangeiros da China estagnaram desde 2021, apesar da alta das taxas globais, o que sugere subnotificação de ganhos ou eficiência reduzida em investimentos externos.
Enquanto isso, o governo chinês, até o momento, parece inclinado a tolerar a deflação desde que suas metas de crescimento sejam atingidas, mantendo o mercado global em alerta sobre os próximos passos da sua moeda, e sobre como o problema do yuan barato será resolvido sem ampliar choques ao resto do mundo.
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