Tecnologia usada no agro chega ao café e pode fortalecer certificações ao identificar adulterações nos grãos

Introdução
Espectroscopia no infravermelho próximo (NIR), em validação pela Embrapa Rondônia, promete detectar adulterações e identificar a origem do grão de café de forma rápida e não destrutiva. Segundo a Folha Vitória, o método gera um padrão espectral que funciona como impressão digital do grão e, com bancos de dados e algoritmos, reconhece terroir e fraudes em segundos.
Em poucos segundos e sem reagentes, a técnica pode tornar fiscalizações e certificações mais ágeis, ampliar a rastreabilidade e fortalecer selos de origem, com impacto direto para cafés especiais e indicações geográficas.
Como funciona a espectroscopia NIR
A NIR incide luz sobre o café; a interação com compostos químicos produz um sinal chamado espectro. Esse padrão é comparado a bancos de dados e, por meio de quimiometria, traduzido em informações práticas.
Com modelos treinados, o sistema distingue perfis químicos ligados ao terroir, detecta misturas e aponta adulterações sem destruir a amostra — uma leitura feita em segundos e sem uso de reagentes.
O que os testes mostraram
Pesquisas conduzidas em parceria entre a Unicamp e a Embrapa, no doutorado de Michel Baqueta, indicaram capacidade de diferenciar origens e variedades. Nos testes, o método separou cafés robustas amazônicos, incluindo variedades indígenas, dos conilons do Espírito Santo e da Bahia.
"um tipo emergente de fraude"
O estudo também detectou adulterações comuns, como a presença de:
- milho
- soja
- casca
- borra
- sementes de açaí
Vantagens para certificações e rastreabilidade
Comparada à análise laboratorial tradicional, que pode levar horas ou dias e exige preparo e reagentes, a leitura por NIR é rápida, não gera resíduos e preserva a amostra. Isso reduz custos e permite verificar lotes com maior agilidade.
Equipamentos portáteis e protocolos padronizados abrem a possibilidade de verificações em campo por cooperativas, certificadoras e órgãos de controle, ampliando a precisão da rastreabilidade até a área produtiva.
Para cafés indígenas amazônicos, a validação científica confere respaldo técnico e pode ampliar acesso a nichos de mercado que valorizam origem e identidade territorial.
Aplicações futuras e desafios
A Embrapa Rondônia planeja aplicar a técnica ao banco de germoplasma com mil acessos de café, buscando identificar perfis químicos relacionados a teor de cafeína e minerais. Isso pode acelerar a seleção de materiais de interesse e valorizar cafés de origem.
O investimento inicial é um desafio, mas o uso coletivo e o suporte dos fabricantes tornam a aquisição viável, segundo os pesquisadores. Há também movimento para integrar NIR a dispositivos móveis e plataformas digitais, conectando a análise diretamente ao campo e ao consumidor.
Próximos passos
Os seguintes avanços aparecem como prioridades no desenvolvimento da técnica: ampliar o banco de dados com amostras de diferentes regiões, desenvolver uma plataforma de autenticação que conecte produtores, cooperativas e certificadoras e integrar a análise a dispositivos móveis.
A expectativa dos pesquisadores é que a NIR se consolide como ferramenta nacional de autenticação, combatendo fraudes, democratizando certificações e reforçando a imagem do café brasileiro no mercado.
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