UE e Brasil avançam em acordo político sobre terras raras, lítio e níquel, diz von der Leyen, parceria mira investimentos e independência estratégica na cadeia crítica

A União Europeia manifestou interesse em garantir acesso a minerais críticos do Brasil, considerados essenciais para a transição energética e para a estabilidade geopolítica do bloco.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que negocia com o governo brasileiro um acordo específico para investimentos em lítio, níquel e terras raras, recursos classificados como estratégicos.
A declaração foi feita durante cerimônia no Rio de Janeiro que celebrou o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, negociado há 25 anos, e marca avanço nas conversas sobre cadeias críticas de suprimentos, investimentos e independência estratégica, conforme informação divulgada pelo g1.
O que a UE propõe
Segundo von der Leyen, a Europa busca um acordo político específico sobre matérias-primas, com projetos de investimento conjunto em lítio, níquel e terras raras, para apoiar a transição digital e limpa e também a independência estratégica.
Em suas palavras, "Fico feliz em ver que o Brasil e União Europeia estão chegando a um acordo político sobre matérias-primas, com projetos de investimento conjunto em lítio, níquel e terras raras. E isso é importante para a nossa transição digital e limpa, e também para a independência estratégica, num mundo em que os minerais tendem a ser instrumento de coerção", declarou von der Leyen.
Importância geopolítica e econômica das terras raras
As terras raras, conjunto de 17 elementos químicos, são usadas em turbinas eólicas, veículos elétricos, semicondutores, equipamentos médicos e aplicações militares, tornando-se centrais nas cadeias de valor de alta tecnologia.
O Brasil possui a segunda maior reserva conhecida desse tipo de minério, atrás apenas da China, o que explica o interesse crescente de potências como a União Europeia e os Estados Unidos, que buscam ampliar fornecedores e reduzir dependências externas.
Condições e garantias exigidas pela Europa
Von der Leyen destacou que a proposta europeia quer se diferenciar por garantir independência mútua e cumprir padrões rígidos, com foco em transparência, meio ambiente e benefícios locais.
Ela afirmou, "Nós na Europa vamos sempre cumprir os mais elevados padrões em termos de transparência, respeito ao meio ambiente E sempre nos garantiremos que comunidades locais serão as maiores beneficiárias do valor criado, para que todos sejam beneficiados. Essa é a forma que a Europa usa para fazer negócios", ressaltando que esse será um critério para qualquer investimento europeu.
O que muda para o Brasil e próximos passos
O avanço das negociações ocorre num contexto de competição global por minerais estratégicos, incluindo o interesse dos Estados Unidos. "Os Estados Unidos, sob o governo de Donald Trump, também passaram a manifestar interesse direto nas reservas brasileiras", segundo a fonte.
Apesar das reservas, grande parte da produção nacional ainda é exportada sem processamento industrial, o que limita o valor agregado retido internamente. Para o Brasil, a parceria com a UE pode significar investimentos em refino e cadeia de valor, com condições atreladas a padrões socioambientais e a garantia de benefícios para comunidades locais.
Nos próximos meses, as conversas devem focar em detalhes técnicos e em cláusulas de governança, transparência e contrapartidas sociais, enquanto Brasil e União Europeia buscam transformar as reservas em oportunidades industriais e estratégicas para ambos os lados.
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