Zelensky no 4º ano da invasão russa: Putin não quebrou os ucranianos

Quatro anos após o início da invasão russa, o presidente Volodymyr Zelensky afirmou que a Rússia não venceu a guerra e que os ucranianos não foram quebrados.
Em um dia marcado por lembranças e por visitas de altos representantes europeus a Kiev, Zelensky reiterou a determinação de resistir à ofensiva russa e pediu que líderes internacionais vejam de perto as consequências do conflito.
As declarações e dados sobre o avanço e as perdas no front foram divulgados no contexto das comemorações do quarto aniversário da invasão russa, conforme informação divulgada pela Associated Press.
Mensagem de Zelensky e números do conflito
Zelensky disse, em post nas redes sociais, que "Olhando para o início da invasão e refletindo sobre hoje, temos todo o direito de dizer: defendemos nossa independência, não perdemos nossa soberania", e acrescentou que o presidente russo Vladimir Putin "não alcançou seus objetivos".
O presidente também foi categórico, afirmando que "Ele não quebrou os ucranianos; ele não venceu esta guerra", frase que foi repetida como síntese da resistência de Kiev.
O avanço russo tem sido limitado nos últimos doze meses, segundo levantamento citado pela Associated Press, com a Rússia tendo "capturou apenas 0,79% do território da Ucrânia, segundo o Instituto para o Estudo da Guerra, um think tank com sede em Washington. A Rússia hoje controla quase 20% da Ucrânia." Esses números foram usados por Zelensky para mostrar que a invasão russa não alcançou os objetivos esperados por Moscou.
Impacto humanitário e apelo por negociações
A guerra trouxe danos significativos à população civil, com bombardeios aéreos que devastaram famílias e deixaram moradores sem eletricidade e água encanada. A rotina de muitas cidades ucranianas segue marcada por cortes, reconstrução e deslocamentos.
No plano diplomático, uma iniciativa liderada pelos Estados Unidos para tentar encerrar o maior conflito em solo europeu desde a Segunda Guerra Mundial ainda não avançou para um acordo, com negociações travadas sobre o futuro da região de Donbas e sobre garantias de segurança pós-guerra que Kiev considera essenciais para evitar novas invasões.
Zelensky convidou o então presidente dos EUA, Donald Trump, a visitar Kiev e ver "Só então se pode realmente entender do que se trata essa guerra", na tentativa de sensibilizar decisores estrangeiros sobre a urgência de apoio continuado.
Posição russa e reação europeia
Do lado russo, o Kremlin deixou claro que a ofensiva continuará enquanto Moscou não atingir o que considera metas estratégicas, incluindo exigências sobre a entrada da Ucrânia na Otan, o tamanho do seu Exército e concessões territoriais.
Autoridades europeias reforçaram o apoio a Kiev. O chanceler alemão Friedrich Merz escreveu, em rede social, que "Por quatro anos, todos os dias e todas as noites têm sido um pesadelo para os ucranianos, e não apenas para eles, mas para todos nós, Porque a guerra está de volta à Europa", afirmando a necessidade de unidade entre aliados frente à invasão russa.
Analistas também apontam o alto custo humano do conflito, com estimativas de que "O número de soldados mortos, feridos ou desaparecidos dos dois lados pode chegar a 2 milhões até a primavera, com a Rússia registrando a maior quantidade de baixas de qualquer grande potência desde a Segunda Guerra, estimou no mês passado o Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais." Esses dados ressaltam a dimensão prolongada e sangrenta da guerra.
O que vem a seguir
Zelensky disse esperar uma nova rodada de negociações mediadas pelos EUA com a Rússia dentro de dez dias, sem, porém, garantir avanços imediatos em pontos-chave. A continuidade do conflito e a lentidão das negociações indicam que a invasão russa seguirá sendo tema central da política internacional nos próximos meses.
Enquanto isso, o tom do dia foi de lembrança e pressão diplomática, com a Ucrânia afirmando sua soberania e buscando consolidar apoio político e militar para resistir e, ao mesmo tempo, trabalhar por uma solução que garanta segurança no pós-guerra.
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