EUA em crise, Brasil como alternativa, juros altos e metais como proteção: gestor americano Wolf explica por que fluxo estrangeiro entrou na bolsa em 2025

Gestor americano afirma que EUA em crise empurra capital para o Brasil como alternativa, com juros elevados e metais servindo como proteção contra risco no dólar
O gestor americano Wolf atribui parte do fluxo estrangeiro para o Brasil a uma percepção de crise nos Estados Unidos e a uma busca por alternativas, especialmente por ativos com rendimento e proteção, como metais.
Segundo Wolf, a combinação de juros elevados no Brasil e receios sobre a condução da política monetária nos EUA tem feito investidores reavaliarem onde alocar capital, privilegiando diversificação internacional.
Em suas palavras, isso se manifesta em sinais claros no mercado, como a forte alta da Bolsa em 2025 e entradas pontuais no câmbio, conforme depoimento do gestor americano Wolf.
Por que o capital estrangeiro entrou na bolsa brasileira
Wolf recorda que a Bolsa brasileira subiu mais de 30% em 2025, citando entrada de fluxo estrangeiro como causa central. Ele explica que investidores estrangeiros olham para o Brasil de forma mais macro, e que eventos nos EUA, como a administração Trump e tarifas, criaram um movimento de saída de ativos americanos e da moeda americana.
O gestor também destaca fator político, dizendo, em tradução livre, que "Se o Lula ganhar, posso perder ou até ganhar um pouco, mas se a direita ganhar, eu ganho duas ou três vezes o que investi", mostrando uma percepção de assimetria positiva para parte do capital estrangeiro.
Risco para o dólar, papel dos metais e a tese de hedge
Wolf aponta que há uma tendência de diversificação, com dinheiro saindo da concentração em ativos americanos, e que isso aparece nas compras de ouro, platina e prata, como forma de se proteger contra uma eventual desvalorização do dólar.
Ele alerta para a possibilidade de uma fusão entre Tesouro e Fed, e que isso poderia reduzir credibilidade da política monetária americana e levar a cortes de juros que fariam o dólar cair. Wolf exemplifica que se o Fed for empurrado a juros muito abaixo do neutro, o dólar poderia perder valor estruturalmente.
Selic alta e o conceito de carregamento
Sobre o apelo do Brasil, Wolf afirma que os juros locais altos foram um grande atrativo, e cita que a Selic, em patamares elevados, funciona como carregamento para quem entra em posição. Ele sintetiza, "Um dos motivos de o Brasil ter ido bem foi o carregamento, se você tira o carregamento, fica menos atrativo".
Por outro lado, ele lembra que se o Fed cortar juros de forma agressiva, o diferencial pode mudar e afetar a atratividade relativa do Brasil, portanto a velocidade dos cortes nos EUA é um fator determinante.
Como se proteger e montar carteira em cenário incerto
Wolf defende diversificação real entre classes de ativos, com exposição a commodities, bolsas denominadas em outras moedas, e TIPS, seguindo um pensamento similar ao do "All Weather". Ele diz, traduzindo sua ideia central, que a diversificação não é só ter empresas diferentes num mesmo mercado, mas dispor de classes distintas para vários cenários.
Na prática, recomenda exposição moderada a tecnologia, alguma Europa e um pouco de China, além de ativos que protejam contra inflação e queda do dólar. Ele ainda observa movimentos de curto prazo, como quando "na quarta-feira [24 de dezembro] o dólar caiu 1,3%", sinalizando entrada de capital estrangeiro.
Wolf finaliza recordando sua formação em Filosofia, e que isso o ajuda a montar argumentos e evidências para decisões de investimento, citando, "Como estudei Filosofia, gosto de argumentos, lógica, evidência, montar um argumento, isso me ajuda no mercado".
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