Maduro acusado de narco-terrorismo por 25 anos de tráfico

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos apresentou uma nova denúncia que afirma envolvimento direto do presidente venezuelano em um esquema de narcotráfico que teria durado 25 anos.
A ação, divulgada no sábado, coincide com ataques aéreos em Caracas e com relatos de que Maduro e sua esposa foram retirados do país, enquanto autoridades americanas informaram sobre seu transporte para Nova York.
Se condenado, Maduro pode cumprir pena pelo resto da vida, e a acusação atualiza processos anteriores de 2020, incluindo novos réus, entre eles sua esposa e seu filho, conforme informação divulgada pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ).
Principais acusações na denúncia
A peça do DOJ lista várias acusações formais, incluindo citações textuais das alegações, por exemplo, "Conspiração de Narco-Terrorismo: Maduro e outros dois réus teriam concordado em distribuir pelo menos cinco quilos de cocaína, beneficiando grupos terroristas designados, incluindo Tren de Aragua e Cartel de Sinaloa."
Também aparecem trechos como "Conspiração para Importação de Cocaína: Maduro e outros cinco réus teriam conspirado para contrabandear drogas ilegais para os EUA" e "Posse de Metralhadoras e Dispositivos Destrutivos: Maduro e outros cinco réus teriam usado e possuído metralhadoras como parte das conspirações de narco-terrorismo e importação de cocaína."
A denúncia inclui ainda a acusação, citada textualmente, de "Conspiração para Posse de Metralhadoras e Dispositivos Destrutivos: Maduro e outros cinco réus teriam concordado em usar e possuir metralhadoras nas conspirações mencionadas."
Como o DOJ descreve o suposto esquema
Segundo a acusação, o suposto envolvimento de Maduro teria origem em cargos públicos ocupados entre 1999 e 2025, e detalha atuações ao longo de diferentes funções estatais.
Como membro da Assembleia Nacional entre 2000 e 2006, a denúncia afirma que ele "movimentado cargas de cocaína sob a proteção das forças de segurança venezuelanas". Já no período como chanceler, entre 2006 e 2013, o texto alega que Maduro "forneceu passaportes diplomáticos venezuelanos a traficantes de drogas e facilitou cobertura diplomática para aviões usados por lavadores de dinheiro para repatriar recursos do tráfico do México para a Venezuela".
O DOJ também cita estimativa do Departamento de Estado de 2020, segundo a qual "entre 200 e 250 toneladas de cocaína eram traficadas anualmente pela Venezuela". A denúncia afirma que, como líder do país, Maduro permitiu que "a corrupção alimentada pela cocaína florescesse para seu próprio benefício, para o benefício de membros de seu regime e de seus familiares".
Quem mais foi incluído e detalhes de operações
Além do presidente, a denúncia nomeia sua esposa, seu filho Nicolás Ernesto Maduro Guerra, conhecido como "Nicolasito" ou "O Príncipe", o ministro do Interior Diosdado Cabello Rondón, o político Ramón Rodríguez Chacín e Héctor Rusthenford Guerrero Flores, apontado como líder do Tren de Aragua.
O documento afirma que entre 2004 e 2015 Maduro e Flores de Maduro "trabalharam juntos para traficar cocaína, grande parte dela apreendida anteriormente pelas forças de segurança venezuelanas, com a ajuda de escoltas militares armadas". Nesse período, diz a peça, eles "mantiveram seus próprios grupos de gangues patrocinadas pelo Estado, conhecidos como coletivos, para facilitar e proteger a operação de tráfico" e "ordenaram sequestros, espancamentos e assassinatos contra aqueles que deviam dinheiro do tráfico ou que de alguma forma prejudicavam a operação".
Repercussões, detenção e próximos passos
Autoridades afirmaram que Maduro está sendo transportado para a cidade de Nova York e ficará detido no Metropolitan Detention Center, no Brooklyn, a mesma instalação que já abrigou Joaquín "El Chapo" Guzmán, segundo fonte citada no processo.
O DOJ atualizou acusações apresentadas inicialmente em 2020, quando foi oferecida recompensa de US$ 50 milhões por informações que levassem à prisão de Maduro. A nova denúncia amplia o número de réus e detalha crimes que incluem tráfico internacional de drogas, narco-terrorismo e posse de armamento pesado.
O presidente venezuelano nega envolvimento com o tráfico, e a acusação também ressalta que, se condenado, Maduro pode passar o resto da vida na prisão, conforme as diretrizes de sentença. A primeira aparência no tribunal americano foi indicada para ocorrer na segunda-feira, segundo a fonte mencionada pelo DOJ.
O desenvolvimento do caso deve definir próximos capítulos diplomáticos e jurídicos entre Estados Unidos e Venezuela, enquanto a comunidade internacional acompanha os desdobramentos e as provas apresentadas pelo DOJ.
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