Protestos no Irã perdem força após repressão mortal, diz grupo

As manifestações que se espalharam pelo país desde 28 de dezembro parecem ter sido, por enquanto, contidas pela repressão mortal e por fortes restrições de segurança.
Moradores relataram ruas mais calmas em Teerã e em outras cidades, com drones sobrevoando áreas onde antes havia atos, e a mídia estatal noticiou novas prisões nesta sexta-feira.
Vozes de grupos de direitos humanos e relatos locais apontam que a pressão das forças de segurança limitou as reuniões de rua nos últimos dias, conforme informação divulgada pela Reuters.
Repressão, apagão e presença militar
O fluxo de informações foi afetado por um apagão na internet que dificultou a verificação independente do que ocorre nas ruas. Moradores de Teerã disseram que a capital estava tranquila desde domingo, e que não viram sinais de protestos na quinta ou sexta-feira.
O grupo de direitos curdo-iraniano Hengaw afirmou que "o ambiente de segurança continua altamente restritivo" e que não houve nenhuma reunião de protesto desde domingo. A ONG citou a forte presença militar e de segurança em cidades e vilas onde as manifestações ocorreram, e em locais que não tiveram grandes atos anteriormente.
Ameaça americana e reação regional
Os temores de uma ação militar dos Estados Unidos cresceram após repetidas ameaças do presidente Donald Trump. Depois, segundo a Casa Branca, Trump afirmou ter sido informado de que as mortes na repressão estavam diminuindo, e a preocupação com um ataque americano recuou.
A própria Casa Branca disse que o presidente e sua equipe alertaram Teerã sobre "graves consequências" se as mortes ligadas à repressão continuassem, e aliados dos EUA na região, incluindo Arábia Saudita e Catar, intensificaram a diplomacia em Washington para evitar uma ação militar.
Relatos e números divulgados
A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que "Trump entende que 800 execuções programadas foram interrompidas", informação destacada como indicativo de que a pressão externa teve algum efeito nas decisões iranianas, segundo a Reuters.
Ao mesmo tempo, a mídia estatal continuará a relatar prisões e operações de segurança, conforme autoridades locais buscam restaurar a ordem e evitar novas mobilizações.
O que vem a seguir
Analistas e moradores avaliam que, enquanto a internet permanecer controlada e a presença militar for intensa, é provável que grandes protestos em vias públicas fiquem limitados. No entanto, restrições à comunicação dificultam a avaliação completa da situação.
Fontes de direitos humanos e testemunhas locais permanecem vigilantes, e a comunidade internacional acompanha os desdobramentos, temendo escalada da violência se as mortes voltarem a subir.
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