Trump quer saber por que Irã não se rendeu ao aumento militar dos EUA, enviado diz, e alerta que Teerã estaria 'a uma semana' de material para bomba

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está, segundo seu enviado especial, interessado em entender por que o Irã não se rendeu às exigências americanas, mesmo após o aumento da presença militar dos EUA no Oriente Médio.
Em entrevista ao programa My View with Lara Trump, na Fox News, Steve Witkoff afirmou que Trump está "curioso" com a postura iraniana e questiona por que Teerã não aceitou limitar seu programa nuclear diante da pressão.
As informações sobre as declarações e o cenário diplomático e militar foram divulgadas pela imprensa internacional, conforme informação divulgada pela Reuters e pela BBC.
Por que, segundo o enviado, Trump está "curioso"
Witkoff disse, em tradução para o português, "Não quero usar a palavra 'frustrado', porque ele entende que tem muitas alternativas, mas está curioso para saber por que eles não… Não quero usar a palavra 'se renderam', mas por que eles ainda não se renderam".
O enviado reforçou a ideia de que, diante da presença naval e aérea americana, seria razoável esperar que o Irã viesse negociar concessões, contudo, "é meio difícil levá-los a esse ponto", segundo Witkoff.
Witkoff também afirmou que, por orientação de Trump, se reuniu com o opositor iraniano Reza Pahlavi, sem dar detalhes sobre o encontro, e relatou que Pahlavi pediu ação mais rápida por parte dos EUA.
Pressão dos EUA, exigências e ameaça de ataque
Nos últimos dias, o governo Trump ordenou um reforço significativo de tropas e meios no Oriente Médio e preparativos para um possível ataque aéreo prolongado contra o Irã, enquanto Teerã ameaçou atacar bases americanas caso seja alvo de ofensiva.
Os Estados Unidos exigem que o Irã abandone o enriquecimento de urânio, que, segundo Washington, pode ser usado na fabricação de bombas, interrompa o apoio a militantes na região e aceite limites para seu programa de mísseis.
O governo iraniano nega buscar armas nucleares e diz que o programa tem fins pacíficos, e afirma estar disposto a aceitar algumas restrições em troca do alívio de sanções financeiras, mas rejeita vincular esse tema a outras questões, como mísseis e apoio a grupos armados.
Risco nuclear, prazos e avaliação do enviado
Witkoff afirmou que o Irã estaria enriquecendo urânio "muito além do necessário para energia nuclear civil", chegando a 60% de pureza físsil, e que o país estaria "a uma semana" de obter material em nível industrial para a fabricação de bombas, chamando a situação de "realmente perigosa".
Essas avaliações ilustram por que, segundo o enviado, o governo americano busca uma resposta rápida, e explicam a preocupação de Trump em entender por que o Irã não se rendeu às demandas apresentadas.
Protestos internos no Irã e números de vítimas
Paralelamente ao impasse com os EUA, o Irã enfrenta protestos no país, incluindo manifestações em universidades, com relatos de confrontos entre grupos pró e antigoverno.
A agência Human Rights Activists News Agency, sediada nos EUA, afirmou ter confirmado a morte de pelo menos 7.015 pessoas na recente onda de protestos, incluindo manifestantes, crianças e pessoas ligadas ao governo, enquanto autoridades iranianas disseram que mais de 3.100 pessoas morreram, a maioria integrantes das forças de segurança ou civis atacados por manifestantes.
O cenário interno complica ainda mais a possibilidade de que o Irã aceite, de imediato, as demandas externas, e ajuda a explicar por que, na visão do governo americano, o Irã não se rendeu até agora.
As declarações de Witkoff e a descrição da crise foram divulgadas por veículos internacionais, conforme informação divulgada pela Reuters e pela BBC.
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