Bancos de investimento preparam virada em 2026 com IPOs e M&A

Cenário indica retomada gradual de IPOs, M&As e receitas em 2026
O setor financeiro brasileiro vive a expectativa de deixar para trás um 2025 fraco em emissões de ações e operações de fusões e aquisições, com sinais de recuperação no horizonte.
Banqueiros apontam que a combinação de queda prevista da Selic e realocação de recursos globais pode reacender o apetite por ofertas e negócios de maior porte no Brasil.
Os dados mais recentes mostram uma receita consolidada com comissões estimada em US$ 710 milhões, um recuo de 4%, e uma sequência de queda que completa quatro anos, conforme levantamento da Dealogic feito a pedido do NeoFeed.
Por que 2025 ficou ruim e o que mudou
Em 2025, a fraqueza de ECM foi a principal causa do mau desempenho, com emissões em renda variável muito baixas e um ambiente de volatilidade que afetou M&As.
As operações de renda fixa ajudaram a amortecer a queda de receitas, mesmo com um recuo de 9,7%, para US$ 85,4 bilhões, segundo a Dealogic. O mercado local, contudo, fechou o ano com o Ibovespa em alta de 34%, aos 161.125,37 pontos, o melhor resultado anual desde 2016.
Expectativa para 2026 e sinais práticos
Banqueiros consultados destacam sinais de melhora no fim de 2025 e um pipeline que deve ganhar força em 2026, mesmo que a retomada seja lenta, pela taxa de juros ainda elevada.
Anderson Brito, head do IB do UBS BB, afirma, "O que estamos vendo para 2026 é uma melhora do mercado, com equities mostrando um respiro". Leonardo Cabral, head do IB do Santander, diz, "Estamos vendo um movimento bem diferente para o ano de 2026, com ofertas para serem anunciadas, talvez em janeiro, no máximo fevereiro com ofertas na rua".
Quem se destacou em 2025 e oportunidades para 2026
Apesar do ano difícil, bancos tiveram pontos fortes, com o Itaú BBA liderando receitas e DCM, o BTG Pactual se destacando em M&As, e o J.P. Morgan liderando em ECM na América Latina.
O BTG registrou volume de M&As de US$ 17,8 bilhões, alta de 16%, enquanto o ranking de ECM na região somou US$ 8,8 bilhões. Em renda fixa, o Itaú BBA liderou com US$ 19,4 bilhões, embora em queda de 12,3%.
Riscos, janelas e o papel dos estrangeiros
Os bancos ressaltam que a entrada de investidores estrangeiros com perfil de longo prazo pode tornar a retomada mais sustentável. Fabio Nazari, do BTG Pactual, afirma, "Quem entra hoje é long only, não hedge fund, é alguém com visão de longo prazo. Ele não consegue comprar ativos da China, Rússia e Turquia como antes, enquanto na Índia já comprou muito".
Ele completa, "Por eliminação, vem ao Brasil ou México, onde os deals são feitos em ADRs, porque o mercado não tem profundidade". Roderick Greenlees, do Itaú BBA, diz, "Estamos entrando em 2026 com um pipeline parecido ao de 2025, que já era muito melhor que o de 2024", e acrescenta, "O interessante é a volta forte dos chineses ao mercado".
No lado dos riscos, a Selic projetada pelo Boletim Focus em 12,25% ao fim de 2026 e a incerteza eleitoral seguem limitando a janela de emissões, e Miguel Diaz, do Santander, lembra, "A queda da taxa de juros ainda é expectativa e não será de 15% para 9%. No esquema geral de retornos, a renda fixa continua muito atrativa".
Em M&As, a conclusão de acordos iniciados em 2025 e novas negociações devem aumentar as receitas dos bancos de investimento. Thiago Rocha, do Santander, diz, "O ano de 2025 terminou num momento mais positivo, com transações anunciadas e outras não públicas que evoluíram bem no último trimestre".
Alessandro Farkuh, do BTG Pactual, resume os desafios operacionais, "A dinâmica de fechamento muda, porque as referências de valuation ficam distorcidas. O processo de execução é alongado, exigindo abordagem mais criativa e estruturada", e acrescenta, "Num cenário como este, são priorizados deals com valuations atraentes".
Algumas empresas já deram passos práticos, com Aegea iniciando preparativos para IPO, a BRK Ambiental protocolando pedido na CVM, e o PicPay estudando listagem nos EUA que pode captar US$ 500 milhões. Esses movimentos alimentam a expectativa de que 2026 seja o ano de maior atividade, com ofertas entrando nas ruas nos primeiros meses do ano.
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