Como Ronald Lauder colocou a Groenlândia no radar de Trump, investimentos e interesses em terras raras, água de luxo e energia estratégica

Ronald Lauder, amigo de Trump há mais de 60 anos, convenceu o governo americano a mirar a Groenlândia, por interesses em terras raras, energia, água de luxo e rotas marítimas
O bilionário e herdeiro do império Estée Lauder, Ronald Lauder, é apontado como quem colocou a Groenlândia na agenda de Donald Trump, segundo reportagens internacionais.
Relatos indicam que, no primeiro mandato de Trump, conselheiros foram chamados ao Salão Oval para ouvir a proposta de compra, e que a ideia continuou a voltar à tona, com discordância crescente entre aliados europeus.
As informações são resultado de apurações do The Guardian, e de reportagens do New York Times, Forbes e New York Post.
Como a proposta chegou ao Salão Oval
John Bolton, que foi conselheiro de segurança nacional de Trump, contou que foi convidado ao Salão Oval para ouvir uma nova proposta sobre a Groenlândia, conforme relatos jornalísticos.
Segundo essas apurações, a sugestão partiu de um executivo rico e influente, com longa amizade com Trump. A presença de conselheiros no encontro mostra como a ideia rapidamente ganhou atenção, embora gerasse surpresa e ceticismo entre diplomatas.
Quem é Ronald Lauder e quais são seus interesses
Ronald Lauder conheceu Trump na década de 1960, quando os dois estudaram em escolas de elite em Nova York, e a amizade se estendeu por mais de 60 anos.
Relatos indicam que Lauder defendeu publicamente a visão de que a Groenlândia tem importância estratégica, escrevendo que, sob o gelo e as rochas, há "um tesouro de elementos de terras raras essenciais para inteligência artificial, armamento avançado e tecnologia moderna". Ele também afirmou que "com o recuo do gelo, novas rotas marítimas estão surgindo, remodelando o comércio e a segurança globais", conforme coluna publicada no New York Post.
Arquivos citados em reportagens e o livro "The Divider", de Peter Baker e Susan Glasser, mostram que Lauder e parceiros fizeram investimentos significativos na ilha, por meio de empresas com sede em Nova York que adquiriram participações comerciais na região.
O que torna a Groenlândia valiosa
A Groenlândia é rica em recursos cobiçados, incluindo depósitos de terras raras, minerais, petróleo bruto e amplas zonas de pesca.
Com o derretimento do gelo, novas rotas marítimas mais práticas começam a surgir, o que altera dinâmicas de comércio e segurança. Esses fatores explicam por que investidores privados e estrategistas americanos passaram a olhar para a ilha com interesse renovado.
Relatos de investidores locais citam empreendimentos como a exportação de "água de luxo" de uma ilha da costa groenlandesa, e projetos para usar energia hidrelétrica de grandes lagos para alimentar fornalhas que derretem alumínio.
Reações políticas e implicações geopolíticas
A ideia de compra ou mesmo de aumento significativo da presença americana na Groenlândia gerou inquietação entre aliados europeus, e dentro da OTAN, pela possibilidade de alterar o equilíbrio de poder no Ártico.
Autoridades dinamarquesas reagiram com surpresa, e o então primeiro-ministro ou ministros expressaram que não conseguiam mudar a posição americana, reconhecendo o desejo presidencial de proteger interesses estratégicos na ilha.
Trump chegou a afirmar publicamente, segundo relatos, "Vamos fazer alguma coisa com a Groenlândia, seja da maneira amigável ou da maneira mais difícil", frase que aumentou a tensão diplomática e as dúvidas sobre intenções concretas.
Investimentos, transparência e conflitos de interesse
Reportagens apontam que, além de influenciar a agenda, Lauder participou de investimentos diretos na Groenlândia, por meio de empresas cujos proprietários nem sempre foram publicamente identificados.
Um jornal dinamarquês afirmou que Lauder estava entre os principais investidores de uma firma envolvida em empreendimentos na ilha, e que os investimentos incluíam projetos ligados ao mercado de luxo e à energia.
Estima-se que a fortuna de Lauder, que vem em grande parte da gigante dos cosméticos Estée Lauder, seja de 4,6 a 4,7 bilhões de dólares, com algumas fontes como a Forbes estimando que já tenha batido os 5 bilhões de dólares.
O futuro da disputa pelo Ártico e da Groenlândia
A história revela como interesses privados e debates presidenciais podem se cruzar em territórios estratégicos. A Groenlândia entrou no radar não apenas por motivos geopolíticos, mas também por potenciais ganhos comerciais.
Enquanto críticos alertam para riscos diplomáticos e de segurança, defensores argumentam que parcerias estratégicas e investimentos podem fortalecer a ilha diante das mudanças climáticas e da nova geografia do comércio global.
O episódio permanece como exemplo de como interesses pessoais, investimentos privados e decisões governamentais podem se sobrepor, com impactos que vão além do econômico, alcançando relacionamentos entre países e a própria segurança internacional.
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