Camil Alimentos 2026, aposta em margens premium e expansão no Paraguai, BTG projeta lucro de R$ 324 milhões e Santander ressalta recuperação operacional

A Camil inicia 2026 focada em ampliar margens e diversificar receitas, em um ano que deve combinar recuperação operacional com pressão nos preços do arroz.
A estratégia inclui maior ênfase em produtos premium, expansão internacional e otimização do caixa, em busca de recuperação do lucro e do EBITDA.
Conforme informação divulgada pelo BTG Pactual e pelo Santander.
Por que os preços do arroz pressionam, e qual o impacto
O mercado segue com os preços do arroz em baixa, em um ciclo de commodities ainda em reequilíbrio. A Conab estima uma queda de 13% na produção neste ano, para 11,1 milhões de toneladas, o que pressionou a oferta e a formação de estoques, e desestimulou parte do plantio para 2026.
Na Camil, o resultado foi menor receita no segmento de alto giro, mesmo com aumento de volume, por conta da queda de 49% nos preços do arroz, segundo os relatórios consultados.
Projeções dos bancos e avaliação operacional
O BTG projeta que o lucro líquido da companhia deve alcançar R$ 324 milhões neste ano, alta de 37% em relação a 2025. Para o banco, o EBITDA projetado é de R$ 987 milhões, com margem de 8,6%, levemente acima dos 8,3% estimados para o ano anterior.
Os analistas do BTG afirmam que "Os resultados operacionais estão melhorando e devem ganhar fôlego à medida que o cenário de preços se normalize", conforme o relatório.
O banco manteve recomendação de compra para o papel da Camil, com preço-alvo de R$ 10,00, com potencial de valorização de 68,4% frente à cotação analisada.
Desempenho por categoria e a aposta em premium
O Santander destacou que a companhia apresentou receita líquida de R$ 3 bilhões, queda de 5% na comparação anual, mas acima do esperado, e que o EBITDA ajustado cresceu 31%, alcançando R$ 236 milhões, com margem de 8%.
Segundo o Santander, "A performance operacional, especialmente nas categorias de maior valor agregado, reforça o plano estratégico da companhia para 2026", e o portfólio premium, com grãos especiais, conservas, massas e café, aparece como principal alavanca de crescimento.
O BTG também registrou que o segmento premium cresceu 23% em volume no terceiro trimestre, ficando 17% acima das estimativas do banco, o que ajudou a compensar a fraqueza no segmento de alto giro.
Internacionalização, Villa Oliva e impacto no caixa
A expansão internacional é outro pilar do plano, com a aquisição da Villa Oliva, no Paraguai, já incorporada ao balanço. A operação deve contribuir com cerca de 25 mil toneladas por trimestre e entre US$ 40 milhões e US$ 50 milhões por ano em receita.
A nova planta soma-se às operações no Uruguai, Chile e Peru, e o segmento internacional gerou R$ 876 milhões em receita no trimestre, alta de 13,8% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Os analistas do Santander notam aumento de despesas administrativas, especialmente no Uruguai e com a integração da estrutura paraguaia, mas destacam o crescimento de volumes mesmo com preços mais fracos.
Endividamento e perspectiva de desalavancagem
A companhia segue com alavancagem elevada. No período analisado, a dívida líquida aumentou R$ 436 milhões, reflexo do consumo de R$ 222 milhões em capital de giro, típico do período de formação de estoques de arroz.
A relação dívida líquida/EBITDA chegou a 4,8 vezes, mas segue dentro do limite estabelecido pelos covenants, que era de 4,5x ao fim do quarto trimestre fiscal. Sobre isso, o BTG projeta redução para 3,1x até o fim do ano, acompanhada de recuperação do caixa e estabilização dos custos financeiros.
Na avaliação dos analistas, "O movimento é sazonal e deve se reverter com a liberação do capital de giro nos próximos trimestres", o que sustenta a expectativa de recuperação operacional e de lucro ao longo de 2026.
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