Amazon e Saks financiamento, juiz aprova US$400 mi emergencial

A Justiça dos EUA autorizou um financiamento emergencial que permite à Saks Global Enterprises acessar recursos imediatos, mesmo com a oposição da Amazon, conforme decisão tomada em audiência prolongada.
A varejista de luxo recebeu liberação inicial de US$ 400 milhões, enquanto segue o processo para aprovação final de um pacote maior de US$ 1,75 bilhão, em meio a críticas e contestações de credores.
As informações sobre a decisão e os valores divulgados constam em relatório sobre a audiência, conforme informação divulgada pela Bloomberg L.P.
Decisão do juiz e impacto imediato
Um juiz dos EUA rejeitou a primeira tentativa da Amazon.com de barrar a ida da Saks ao Chapter 11, e autorizou o financiamento emergencial para a recuperação judicial da varejista de luxo, permitindo o saque inicial de US$ 400 milhões, conforme Bloomberg.
Os assessores da Saks disseram em depoimento, em Houston, que a empresa corria risco de liquidação caso não recebesse o dinheiro de imediato, e por isso pediu a liberação urgente dos fundos.
Argumentos da Amazon contra o financiamento
A Amazon alega que a Saks descumpriu um acordo para vender seus produtos na plataforma, e afirma que sua participação no negócio em recuperação é "presumivelmente sem valor", segundo documentos apresentados no tribunal.
Na petição, a Amazon disse que o financiamento empurraria para a Saks bilhões de dólares em novas obrigações, e que ele traz outras condições que prejudicariam a própria Amazon e demais credores sem garantia da varejista, conforme relatado pela Bloomberg.
Em 2024, a Amazon comprou uma participação minoritária na Saks como parte do acordo que ajudou a viabilizar a aquisição da Neiman Marcus por US$ 2,65 bilhões, e informou ter investido US$ 475 milhões em ações preferenciais da varejista, segundo os registros do processo.
Detalhes do acordo e obrigações entre as partes
O investimento da Amazon estava atrelado a um acerto para que a Saks vendesse produtos na plataforma, incluindo o lançamento da iniciativa "Saks on Amazon", de acordo com o documento protocolado pela companhia.
Em contrapartida, a Saks se comprometeu a pagar uma taxa de indicação e garantiu pelo menos US$ 900 milhões em pagamentos à Amazon ao longo de oito anos, conforme informações do processo mencionadas pela Bloomberg.
No processo, a Amazon afirmou ainda que "A Saks repetidamente não cumpriu seus orçamentos, queimou centenas de milhões de dólares em menos de um ano e acumulou mais centenas de milhões em faturas em aberto com seus parceiros comerciais", trecho citado na petição.
Próximos passos no Chapter 11 e riscos à recuperação
A Saks obteve acesso à parcela inicial de caixa, mas terá de voltar ao tribunal nas próximas semanas para tentar a aprovação definitiva de todo o pacote de financiamento de US$ 1,75 bilhão, conforme o cronograma informado em audiência.
O diretor de reestruturação da Saks, Mark Weinstein, disse na audiência que a nova linha de crédito era necessária para continuar pagando fornecedores, salários e outras despesas, alertando que, sem os recursos, "estaremos mortos na água".
Mesmo com a liberação inicial, a Amazon e outros credores podem tentar novamente convencer o juiz Alfredo Perez a derrubar ou alterar o acordo de dívida, e a disputa sobre o financiamento e as obrigações contratuais entre Amazon e Saks segue em aberto.
Um porta-voz da Amazon preferiu não comentar, e a Saks não respondeu imediatamente aos pedidos de posicionamento, segundo a reportagem da Bloomberg L.P.
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