Casa de Mainha, vencedora do Building of the Year 2026, prova que adobe, cobogós e mão de obra local transformam um lar em referência da arquitetura brasileira

Casa de Mainha é a reforma do lar de Dona Marinalva em Feira Nova, Pernambuco, que chamou atenção internacional ao equilibrar tradição, conforto e baixo custo de manutenção.
O projeto foi assinado pelo filho da moradora, o arquiteto Zé Vágner, e devolveu ventilação, luz natural e a sensação de acolhimento que o imóvel sempre teve.
O trabalho conquistou o prêmio Building of the Year 2026, da ArchDaily, destacando-se como referência por usar materiais locais e técnicas adaptadas ao clima, conforme informação divulgada pelo ArchDaily.
O projeto e as intervenções
O imóvel de 165m² passou por uma reforma que manteve a estrutura original e resolveu problemas de ambientes isolados e falta de ventilação, motivada por problemas respiratórios de Dona Marinalva, de 59 anos.
Segundo a descrição do projeto, cinco espaços subutilizados foram demolidos para abrir uma sala de estar ampla, criar um jardim interno e um terraço aberto, melhorando circulação e iluminação.
O aumento do pé-direito, com telhados de inclinações desiguais, permitiu a instalação de uma linha de cobogós que facilita a ventilação da fachada oeste e cria um jogo de luz e sombra parecido com esculturas.
As portas de entrada foram restauradas e protegidas por painéis de concreto pré-moldado, usados como brises horizontais de baixo custo, o mesmo elemento que forma os bancos do terraço aberto.
Materiais, clima e cultura
O projeto segue conceitos do livro Roteiro para construir no Nordeste (2010), de Armando de Holanda, priorizando materiais naturais e locais, ventilação cruzada e iluminação natural para reduzir custos de construção e manutenção.
Foram mantidas as paredes de adobe, descritas como tijolos de adobe (tijolos de terra crua), que garantem conforto térmico nas altas temperaturas de Pernambuco.
O interior traz cerâmicas típicas da região, ladrilhos de Olinda e pinturas em cores quentes, como amarelo gema, que reforçam a sensação de conforto de mãe.
Reconhecimento nacional e impacto
A premiação é uma das mais reconhecidas no setor, realizada pela ArchDaily internacional, e a construção de Vágner é a única brasileira entre as vencedoras do ciclo de 2026.
O destaque da Casa de Mainha soma-se a outros reconhecimentos do país, lembrando prêmios anteriores para residências brasileiras, como um imóvel na Vila Matilde que recebeu o mesmo prêmio em 2016, com 95 metros quadrados de área construída, e a residência laureada em 2023 no Aglomerado da Serra, em Belo Horizonte, descrita como o "barraco" de 66 m² de Kdu dos Anjos.
O que significa para a comunidade
A intervenção prova que intervenções de baixo custo e respeito ao saber local podem elevar residências simples ao reconhecimento internacional, valorizando mão de obra e materiais regionais.
Para Feira Nova, uma cidade de cerca de 20 mil habitantes, o prêmio amplia o debate sobre como preservar memórias e adaptar casas ao clima, sem perder a identidade afetiva do lar.
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