Caso Master: Alexandre de Moraes e INSS desafiam agenda de 2026

O ano de 2026 começa com forte turbulência política, e a disputa em torno do Caso Master concentra atenções em Brasília.
O Orçamento da União foi aprovado com veto presidencial ao aumento do Fundo Partidário, com garantia de R$ 61,2 bilhões de emendas parlamentares, e a Reforma Tributária entra em fase de teste a partir de 12 de janeiro.
Enquanto isso, pressão por CPIs, pedidos de impeachment e a retomada de depoimentos sobre fraudes no INSS prometem formar a pauta dominante, influenciando decisões até as eleições, conforme informação divulgada pelo g1.
Investigações e pedidos de CPI
Na frente do Congresso, surgem várias propostas para a criação da CPI do Caso Master, e o senador Alessandro Vieira, do MDB-SE, vai coletar assinaturas para abrir investigação sobre denúncias envolvendo o banco e o escritório de advocacia de familiares de Alexandre de Moraes.
O contrato em questão está estimado em R$ 129 milhões, e, segundo Vieira, estaria "fora dos padrões da advocacia", incluindo suspeitas de "atuação direta do magistrado" em favor da instituição financeira.
Paralelamente, a CPMI do INSS retoma depoimentos e pode colocar sob holofotes Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, por suposta ligação com o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, o "Careca do INSS", tido como "facilitador" do esquema de desvio bilionário de recursos de aposentados e pensionistas.
Pressão institucional e pedidos de impeachment
A oposição também protocolou, em 29 de dezembro, um pedido de impeachment contra Alexandre de Moraes, baseado em conversas do ministro com Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central responsável pela liquidação extrajudicial da instituição financeira.
O caso já passou pelo Tribunal de Contas da União, e o presidente do TCU, Vital do Rego, afirmou que "reverter a operação é atribuição do STF", sinalizando que a liquidação não deve ser desfeita facilmente.
No Supremo, mudanças de comando marcam o início do ano: Alexandre de Moraes assume a presidência em revezamento com Luiz Edson Fachin, e ministros como André Mendonça, Gilmar Mendes, Dias Toffoli e Flávio Dino estarão de plantão para decisões urgentes.
Economia em segundo plano, mas com sinais ao mercado
Com a política em evidência, questões econômicas ficam momentaneamente na segunda divisão, mas o mercado observa decisões que terão impacto prático, como a indicação de dois dirigentes para o comando do Banco Central pelo presidente Lula.
A primeira reunião do Copom de 2026, prevista para 27 e 28 de janeiro, contará com votos de interinos nas diretorias de Política Econômica e de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução, aumentando a atenção sobre o funcionamento do BC.
Além do Banco Central, o nome do advogado Otto Lobo deve passar pelo crivo do Congresso para a presidência da CVM, e ainda haverá sabatina para o indicado ao STF, o advogado-geral da União Jorge Messias.
Na agenda social e fiscal, o governo defende medidas de apelo popular, como a isenção de IR para quem recebe até R$ 5 mil mensais, e discute a gratuidade do transporte público, iniciativas que podem aumentar a popularidade, mas também pressionar as contas públicas.
Reforma Tributária, plataforma e comércio exterior
A Reforma Tributária deixa de ser miragem com o lançamento, em 12 de janeiro, da plataforma que permitirá aos inscritos no CadÚnico consultar o valor do cashback sobre impostos pagos em produtos e serviços essenciais.
Na mesma plataforma, as empresas poderão acompanhar créditos e débitos tributários, agilizando a adaptação ao novo sistema, conforme previsto no cronograma aprovado pelo Congresso.
No campo internacional, o governo sinaliza disposição para assinar o acordo Mercosul-União Europeia, que teve votação na UE na sexta-feira 9 e pode ter sua formalização com desdobramentos em 12 de janeiro, enquanto o Brasil já passou a presidência temporária do Mercosul ao Paraguai em 20 de dezembro.
Ao final, a somatória de incertezas, investigações e medidas econômicas será o primeiro teste de fogo para a capacidade de negociação do governo, em ano que se anuncia curto para decisões graves e longo para campanha eleitoral.
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