De loja de R$ 1,99 à Construtora CK, como uma família chinesa transformou disciplina do varejo em bilhões em Itajaí, Navegantes e Balneário Camboriú

No litoral mais caro do Brasil, a Construtora CK, criada por Charles Kan, aplica a disciplina do varejo de R$ 1,99 para estruturar projetos, entregar obras e mirar mais de R$ 2,3 bilhões em novos lançamentos
A trajetória da família começou no varejo de baixo custo, e hoje virou um case da construção civil no litoral norte de Santa Catarina.
Com atuação em Itajaí, Navegantes e Balneário Camboriú, a empresa cresceu mantendo controles, auditoria e foco na entrega, mesmo em um mercado pressionado por juros altos e competição crescente.
Os dados e relatos que seguem foram compilados conforme informação divulgada pela EXAME.
Da importação e das lojas de R$ 1,99 ao porto e aos primeiros prédios
A história da família Kan começa na China nas décadas de 60 e 70, e ganha corpo no Brasil a partir da chegada do pai, Carlos, que trabalhou em pastelaria, restaurante e pequenos negócios antes de entrar na importação.
Nos anos 1990, durante a febre das lojas de 1,99, a operação de giro rápido ajudou a consolidar capital, com destaque para logística e fornecedores. Charles resume o aprendizado, dizendo, "Era outra época. Hoje, com um aparelhinho na mão, você fala direto com a fábrica do outro lado do mundo, Na época, quem tinha fornecedor e logística na mão tinha o diferencial".
A atividade de importação também levou a família a fixar base em Navegantes, por conta da importância do Porto Navegantes, e a entrada na construção civil veio como renda complementar, primeiro por investimento em empreendimentos de terceiros, depois com a fundação da Construtora CK.
Como a disciplina do varejo virou método na obra
A Construtora CK foi criada há 15 anos por Charles Kan, que fundou a empresa aos 19 anos, e hoje, com 35 anos, dirige um negócio que já entregou 15 empreendimentos, soma 957 unidades e cerca de 170 mil metros quadrados construídos, segundo dados da empresa.
O aprendizado do varejo de baixo custo — controle de caixa, margem apertada, eficiência logística — virou método de gestão na obra. A família também transforma reputação em vantagem, com a afirmação categórica de Charles, "Não existe segunda chance para quem é empreendedor. Se um empresário erra, isso fica marcado em sua trajetória, O prejuízo passa, mas o nome não".
Hoje a CK emprega cerca de 250 funcionários diretos, mantém balanços auditados e oferece canais de acompanhamento de obra para clientes, transformando transparência em ativo competitivo.
O mercado do litoral de Santa Catarina e as mudanças no produto
Itajaí, Balneário Camboriú, Praia Brava e Itapema formam um eixo de até 30 quilômetros que virou vitrine nacional, com valorização forte e fluxo constante de compradores e investidores.
Charles afirma que "A valorização aqui foi exponencial, Em ciclos de dois a três anos, vimos imóveis valorizarem mais de 50%", e espera que a região continue acima da média nacional, puxada por turismo, gastronomia, segurança e demanda por moradia perto do mar.
No produto, há mudança de perfil do comprador. O modelo de apartamentos grandes perdeu força, e ganha espaço o compacto com infraestrutura completa, o chamado home club. Segundo a empresa, "O perfil do consumidor mudou, Hoje o cliente quer academia, piscina, salão de festas, espaço wellness dentro do prédio, Ele não quer sair para resolver tudo fora".
Planos de crescimento, riscos e próximos passos
A CK prepara um novo ciclo de crescimento, com três obras em andamento, dois lançamentos previstos para 2026 e projetos para lançar mais de R$ 2,3 bilhões nos próximos anos, conforme os planos divulgados pela empresa.
A estratégia se apoia em três pilares, governança, controlar o ritmo de crescimento e ajustar o mix de produto. Charles diz que não há vaidade, e que a CK pode atuar do médio ao alto padrão conforme o sinal do mercado, acrescentando, "A CK tenta se posicionar onde o mercado dá sinais, Hoje os compactos têm mais aderência, É onde estamos investindo".
Os desafios são claros, juros elevados pressionam financiamento, o número de concorrentes aumentou e o consumidor está mais atento. Ainda assim, a construção segue vista como porto seguro em momentos de volatilidade, porque o brasileiro aprendeu a poupar em tijolo, uma alternativa conservadora, segundo a visão da empresa.
De um negócio de giro rápido e produtos de R$ 1,99, a lição que se repete na Construtora CK é disciplina, controle e palavra cumprida, com foco em entregar prédios, gerar empregos e manter credibilidade como base para crescer no litoral mais caro do Brasil.
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