Indígenas ocupam terminal da Cargill em Santarém por dragagem

Manifestantes indígenas entraram no terminal portuário da Cargill em Santarém, no Pará, e interromperam as operações locais, segundo comunicado da empresa.
Os manifestantes forçaram os funcionários da Cargill a deixar o terminal privado na noite de sexta-feira, e a presença no local elevou a tensão sobre planos de dragagem dos rios da região.
O episódio expõe disputa entre comunidades e setores privados sobre a **dragagem dos rios**, que os indígenas dizem ameaçar pesca e modo de vida, e a empresa afirma sofrer depredações e vandalismo, conforme informação divulgada pela Cargill.
O que ocorreu no terminal
A Cargill informou que a ocupação levou à interrupção das atividades no terminal de Santarém, e que os manifestantes bloquearam o acesso de caminhões ao local desde 22 de janeiro.
Segundo a empresa, os invasores "forçaram os funcionários da Cargill a deixar o terminal privado na noite de sexta-feira", e a companhia disse detectar "fortes indícios de vandalismo e depredação dos ativos" no terminal.
Por que os indígenas protestam
O movimento é um desdobramento da oposição a planos para a **dragagem dos rios**, como o Tapajós, por onde passam cargas de soja e milho antes de chegar aos portos de exportação.
Em carta após a ocupação, os manifestantes afirmaram, "Os rios não são canais de exportação: são fonte de vida, sustento, memória e identidade para milhares de famílias", e pediram que o governo reconsidere um decreto que, segundo eles, abriria rios da Amazônia à dragagem.
Reação de entidades e do setor
A Associação Brasileira dos Terminais Portuários, ABTP, divulgou nota repudiando o que chamou de "invasão, depredação e ocupação irregular" do Terminal Portuário de Santarém, e relatou ataques ao escritório da Cargill em São Paulo.
A ABTP afirmou que "as ocorrências envolveram destruição de equipamentos, danos às estruturas operacionais, ameaças a trabalhadores e restrição de liberdade por horas, com risco à integridade física dos envolvidos. Tais práticas são incompatíveis com o exercício legítimo do direito de manifestação e não contribuem para a construção de soluções".
Impacto nas exportações e próximos passos
No ano passado, a Cargill embarcou "mais de 5,5 milhões de toneladas métricas de soja e milho através de Santarém", volume que, na avaliação do setor portuário, representou "mais de 70% do volume total de grãos movimentados em Santarém".
A Cargill afirmou que está em contato com as autoridades locais para que a remoção da ocupação seja realizada "de forma ordeira e segura", e ressaltou que não tem controle sobre os planos de dragagem dos rios.
O governo federal não respondeu imediatamente aos pedidos de comentário. Autoridades e representantes das partes dizem que a solução dependerá de medidas de segurança, de decisões judiciais e de um debate sobre a execução de obras de navegação e suas consequências ambientais e sociais.
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