IA causa escassez de memória e fabricantes evitam expandir

A demanda por memórias e armazenamento subiu com a construção de data centers e a expansão da infraestrutura de inteligência artificial, reduzindo a oferta disponível para mercados tradicionais, como PCs e smartphones.
Os efeitos aparecem em preços mais altos e resultados financeiros recordes, mas os fabricantes preferem ampliar capacidade de forma gradual para evitar repetir ciclos de excesso e prejuízo.
O cenário une ganhos no curtíssimo prazo e cautela estrutural, com empresas e analistas debatendo quem deve assumir compromissos mais longos para garantir previsibilidade, conforme informação divulgada pelas empresas e analistas do setor.
Por que a demanda por memória disparou
Sistemas de IA desenvolvidos por empresas como Nvidia e AMD exigem grandes volumes de DRAM especializada, para operar com alto desempenho, e geram enormes quantidades de dados, que precisam ser armazenadas em discos rígidos e unidades SSD.
A renovação rápida de produtos com lançamentos anuais também aumenta a procura por memórias mais rápidas e de maior capacidade, e os investimentos das gigantes de tecnologia mantêm a aceleração da demanda.
Segundo a Bernstein, o "volume de embarques de soluções de armazenamento deve crescer, em média, 19% ao ano nos próximos quatro anos", um ritmo acima da média da última década.
Por que os fabricantes evitam uma expansão imediata
Em um mercado marcado por ciclos de forte expansão seguida de quedas, a experiência recente leva fabricantes a agir com prudência. Oscilações bruscas já causaram prejuízos bilionários e derrubaram ações em anos anteriores.
No mais recente episódio, em 2023, "Micron, Western Digital, Seagate e SK Hynix fecharam o ano no vermelho", o que reforça o temor de expansão desordenada.
Mesmo com resultados favoráveis agora, as empresas preferem adicionar capacidade de forma incremental. A Seagate é a única com planos de aumento mais significativo dos investimentos, ainda assim dentro de sua intensidade histórica de capital.
Resultados, preços e comportamento do mercado
A oferta limitada elevou preços e impulsionou lucros. "Micron registrou receitas e lucros operacionais recordes no último trimestre, enquanto a Samsung projetou que seu lucro operacional no quarto trimestre deve triplicar em relação ao ano anterior".
No mercado acionário, o momento tem sido favorável aos investidores, com ações de Micron, Seagate e Western Digital mais que dobrando em 2025, e a Sandisk multiplicando seu valor de mercado por dez após se separar da Western Digital.
Apesar do rali, a ausência de contratos de longo prazo e o tempo necessário para construir fábricas mantêm a indústria em ritmo contido, com investimentos crescentes, porém medidas de proteção contra um possível excesso de oferta.
O que falta para um investimento mais agressivo
Executivos do setor pedem previsibilidade. Para o CEO da Sandisk, David Goeckeler, "O lado da demanda talvez precise assumir compromissos mais longos", pois fábricas de semicondutores levam anos para ficar prontas e compromissos de curto prazo não oferecem segurança suficiente.
Os grandes gastos de capital das empresas de tecnologia alimentam a trajetória, com Amazon, Google, Microsoft e Meta somando cerca de US$ 407 bilhões em 2025, e projeções que podem levar esses desembolsos a mais de US$ 520 bilhões neste ano.
Na prática, a indústria deve seguir expandindo com cautela, equilibrando a pressão imediata de preços e lucro, e o risco de um ajuste no médio prazo. Para consumidores, a combinação tende a manter oferta apertada e preços elevados até que haja contratos mais longos ou novas fábricas em escala.
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