Influenciadores pró-Trump divulgam versões falsas sobre Alex Pretti

Várias contas nas redes sociais apresentaram versões conflitantes sobre a morte de Alex Pretti, 37, em Minneapolis no sábado, 24, com vídeos e imagens circulando de forma rápida e contraditória.
Muitos posts foram usados para sustentar narrativas do governo Trump, enquanto outros exibiram conteúdo manipulado por inteligência artificial, e fotos de terceiros foram compartilhadas como se fossem do homem morto.
A sequência dos fatos, incluindo que Pretti foi imobilizado e baleado nas costas após um agente retirar sua pistola, foi documentada em vídeos e confirmada por testemunhas, conforme informação divulgada pelo The New York Times.
O que mostram vídeos e testemunhas
Imagens autenticadas mostram Pretti, que não tinha antecedentes criminais conhecidos e possuía porte legal para arma de fogo, colocando-se à frente de uma mulher atingida por spray de pimenta, antes de ser imobilizado por agentes federais de imigração.
Em vídeo, um agente retira a pistola de Pretti, que não havia sacado a arma, e logo em seguida outro agente atira repetidamente em suas costas, segundo relatos e testemunhas citados pelo The New York Times.
Como influenciadores pró-Trump distorceram os fatos
Perfis ligados à direita reproduziram versões falsas ou incompletas dos acontecimentos. Nick Sortor, influenciador pró-Trump com 1,4 milhão de seguidores na rede X, identificou incorretamente Pretti como imigrante em situação irregular.
Jack Posobiec, aliado de Trump com 3,3 milhões de seguidores no X, afirmou falsamente que Pretti teria avançado contra a polícia e sacado uma arma, posts que foram corrigidos por outros usuários com notas anexadas.
Fotos de homens diferentes, alguns vestidos em drag ou sem camisa em um festival de rua, também foram compartilhadas como se fossem de Pretti, ampliando a desinformação. Posobiec, Sortor e a Casa Branca não responderam imediatamente a pedidos de comentário, segundo o The New York Times.
Imagens adulteradas e acusações do governo
Além das deturpações, circulou ampla atividade com imagens adulteradas por IA. Uma foto foi editada para mostrar Pretti apontando uma arma, quando na verdade ele segurava um celular.
Outra imagem foi alterada com a ferramenta Gemini, do Google, supostamente para 'melhorar' a nitidez, mas continha erros óbvios, incluindo mudanças no rosto de Pretti e a remoção de uma arma das mãos de um agente, segundo a apuração do The New York Times.
Altos funcionários do governo Trump também fizeram acusações infundadas de terrorismo doméstico contra Pretti, quando ele já estava imobilizado e desarmado. Nem todos os perfis conservadores repetiram a versão oficial, por exemplo, o podcaster Tim Pool escreveu no X que "claramente não tinha a intenção de massacrar o ICE", conforme relatado pelo The New York Times.
O impacto nas redes e nos debates públicos
A enxurrada de postagens ilustra como influenciadores pró-Trump e outras contas podem moldar narrativas rapidamente, usando imagens fora de contexto e edições digitais, e como essas versões falsas alimentam divisões políticas e suspeitas sobre a verdade dos fatos.
O caso levanta perguntas sobre verificação de conteúdo, responsabilidade nas plataformas e o papel da desinformação em incidentes que envolvem violência e agentes do Estado, conforme apurado pelo The New York Times.
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