Mais de 60% das empresas preveem ciberataques por razões geopolíticas, e mais de 90% das grandes já mudaram estratégias, diz Fórum Econômico Mundial

Mais de 60% das empresas preveem ciberataques por razões geopolíticas, enquanto a volatilidade global e a inteligência artificial forçam mudanças urgentes em equipes e fornecedores
O risco de ciberataques por razões geopolíticas deixou de ser um cenário remoto, para se tornar uma preocupação central das lideranças empresariais.
Empresas recalibram cadeias de suprimento, procuram fornecedores considerados confiáveis e repensam como proteger infraestruturas críticas, com impactos diretos em energia, saúde, transporte, telecomunicações e logística.
Essas conclusões constam do Global Cybersecurity Outlook 2026, do Fórum Econômico Mundial, elaborado em parceria com a Accenture, com base em pesquisa com mais de 800 executivos e mais de 200 entrevistas com CEOs e líderes C-level, conforme informação divulgada pelo Fórum Econômico Mundial.
Geopolítica redimensiona ameaças e estratégias
O relatório aponta que a geopolítica é hoje um dos principais fatores que moldam a postura frente ao risco digital, e que mais de 60% das empresas preveem ciberataques por razões geopolíticas. Dois terços das organizações afirmam ter ajustado suas estratégias de cibersegurança por causa da instabilidade global, e entre as grandes empresas, esse percentual ultrapassa 90%.
No documento, Paolo Dal Cin, líder global de cibersegurança da Accenture, afirma, “Mais de 90% mudaram ou atualizaram suas estratégias de cibersegurança por causa da volatilidade geopolítica”. Ele destaca que o padrão das ameaças mudou, com maior protagonismo de ataques vinculados a Estados nacionais, afetando também empresas privadas que operam infraestruturas críticas.
IA acelera a corrida de ataque e defesa
A inteligência artificial surge como motor de transformação e ampliação do risco, 94% dos executivos veem a IA como o principal motor de mudança da cibersegurança em 2026. A IA tem sido usada por agentes de ameaça para tornar ataques mais eficazes, e simultaneamente é ferramenta indispensável para a defesa.
Dal Cin alerta, “Não conseguimos nos defender de ataques cibernéticos impulsionados por IA se não tivermos defesas de próxima geração, prontas para lidar com esse novo cenário de ameaças”, ressaltando a necessidade de integrar automação e IA nas operações de segurança.
Confiança institucional e falta de talentos agravam o risco
O estudo também mostra fragilidade institucional, cerca de 31% dos entrevistados dizem não confiar na capacidade de seus países de responder a um grande incidente cibernético, percentual que é maior na América Latina e no Caribe.
Na América Latina, 49% dos entrevistados afirmou que seu país não estaria preparado para um grande incidente cibernético em infraestruturas críticas, enquanto no Oriente Médio apenas 4% fizeram tal afirmação. A escassez de profissionais é outro problema, com uma estimativa global de cerca de 5 milhões de vagas não preenchidas.
Segundo o relatório, 69% dos executivos na América Latina afirmam não ter equipes suficientemente capacitadas, ante 33% na Europa e 35% na América do Norte. Sobre o Brasil, Dal Cin comenta, “Acho que o Brasil investiu bastante, está se tornando mais consciente sobre os agentes de ameaça, vejo muitas iniciativas em andamento, mas a principal lacuna está na área de talentos”.
Ameaças emergentes e recomendações práticas
Além dos ataques tradicionais, o relatório destaca riscos emergentes, como o perigo quântico para criptografia, vulnerabilidades em cabos submarinos e a crescente militarização do espaço, com satélites operados por empresas privadas.
O documento recomenda que as empresas adotem uma visão de risco da cadeia inteira, avaliando não apenas grandes fornecedores, mas também players menores que podem criar portas dos fundos, e que acelerem requalificação, automação e uso de IA para multiplicar a capacidade humana.
Em resumo, o relatório coloca a cibersegurança no cerne da agenda estratégica, enfatizando que a combinação de geopolítica e IA transforma o espaço digital em um novo campo de disputa, com impacto direto sobre a resiliência de empresas e governos.
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