Obecon, a Olimpíada Brasileira de Economia que projetou o país globalmente

Em um país onde a maioria diz ter pouco domínio de finanças, um projeto educacional virou referência internacional.
Jovens brasileiros conquistaram o primeiro lugar na Olimpíada Internacional de Economia, diante de 54 países, e a iniciativa por trás desse resultado ganhou atenção nacional.
Os detalhes dessa trajetória e os números por trás do impacto serão apresentados a seguir, conforme informação divulgada pelo NeoFeed.
Um programa estruturado, gratuito e com alcance nacional
No Brasil, 55% da população afirma entender pouco, ou nada, de economia e educação financeira, segundo estudo do Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (IPESPE). Nesse contexto, a Olimpíada Brasileira de Economia, conhecida como Obecon, surge como uma resposta prática.
Criada há oito anos, a organização sem fins lucrativos já impactou mais de 70 mil alunos, sendo 35% de escolas públicas e 65% de instituições particulares, em todos os estados do Brasil. A competição tem cinco fases, começando por uma prova online gratuita, seguindo por avaliações presenciais em grupo, e culminando em meses de treinamentos para selecionar os representantes internacionais.
Casos que mostram como a olimpíada abre portas
Alunos que passaram pela Obecon relatam mudanças concretas na trajetória acadêmica e profissional. Lucas Rivelli, por exemplo, afirma que “O Obecon me chamou atenção por ser um processo genuinamente meritocrático: bastava estudar muito e me dedicar para ir bem”. Depois de participar, ele integrou a equipe que ganhou ouro na Olimpíada Internacional de Economia e foi admitido na Universidade Duke.
Manuela Buesa, que conquistou bronze em 2023 e ouro em 2024, descreve como a experiência impulsionou sua carreira. Ela conta que “Essa experiência na Obecon foi tão importante para a minha jornada educacional que motivou que eu fizesse, depois, uma pesquisa independente, acompanhada por uma PhD de Harvard. A pesquisa foi sobre o impacto do Pix na acessibilidade de crédito para brasileiros de baixa renda, publicada recentemente na Harvard International Review”. Hoje Manuela estuda economia em Wharton.
Parcerias com universidades e mercado
A Obecon firmou acordos com instituições como FGV, Insper e Ibmec, criando caminhos inéditos de acesso por meio de olimpíadas. A competição também é reconhecida por universidades internacionais de prestígio, como Duke e Wharton.
Além das universidades, empresas do mercado financeiro patrocinam e participam ativamente, entre elas B3, BTG Pactual, Verde Asset, Ripple, Dahlia Capital e Bain & Company. Essas parcerias ajudam na formação dos alunos e, por vezes, resultam em ofertas de emprego para os destaques.
Financiamento, desafios e visão para o futuro
Raphael Zimmermann, presidente da Obecon e idealizador do projeto, sintetiza a missão, “O nosso objetivo é gerar impacto social e educação financeira para a sociedade, além de ajudar a formar grandes talentos e mantê-los no Brasil”. Mesmo com resultados e parcerias, a maior limitação permanece financeira.
Zimmermann admite que a organização costuma encerrar o ano no zero a zero, e diz que “Esse, sem dúvida, o nosso maior desafio. E ele não deve ser solucionado tão em breve”. Ainda assim, ele ressalta o alcance global do trabalho, “No fim do dia, nós estamos mostrando que conseguimos jogar bola no mesmo nível que o resto do mundo, apesar de não ter a mesma tradição de ensino de economia que países como os Estados Unidos e China têm”.
Para apoiadores como a B3, o investimento vale a pena por seu efeito inspirador. Marina Naime, gerente de projetos educacionais da B3, afirma que “Os resultados da competição, especialmente nas olimpíadas internacionais, inspiram os estudantes a se dedicarem e a sonharem grande”.
Com mais de 70 mil participantes alcançados e uma presença crescente de mulheres, hoje em torno de 52% das inscritas, a Olimpíada Brasileira de Economia mostra que projetos educacionais bem estruturados conseguem transformar conhecimento em oportunidades, e projetar o Brasil em referências internacionais de formação em economia.
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