Pulsar extremo pode orbitar Sagitário A* no núcleo galáctico

Pesquisadores identificaram sinais de rádio que podem revelar um pulsar extremo muito próximo do centro da Via Láctea.
O objeto candidato gira com alta velocidade e exibe características de magnetismo intenso, o que o transforma em um verdadeiro farol cósmico.
Os dados foram obtidos em um levantamento recente e ainda estão sob análise, conforme informação divulgada pelo The Astrophysical Journal.
O que é um pulsar
Um pulsar é um tipo especial de estrela de nêutrons, remanescente denso do colapso de uma estrela muito mais massiva que o Sol.
Essas estrelas concentram até duas vezes a massa do Sol em uma esfera com cerca de 20 km de diâmetro, o que as torna objetos de densidade extrema.
Ao girarem rapidamente, elas emitem feixes regulares de rádio que, quando apontam para a Terra, são percebidos como pulsos periódicos, com precisão tão alta que funcionam como relógios naturais.
Como foi detectado o candidato
A equipe do projeto Breakthrough Listen analisou observações feitas entre 2021 e 2023 com o radiotelescópio Green Bank, nos Estados Unidos.
Os cientistas encontraram um sinal que corresponde a um objeto girando cerca de 122 rotações por segundo, e o candidato recebeu o nome provisório de BLPSR.
Apesar da sensibilidade do levantamento, apenas esse possível pulsar foi identificado na região estudada, abaixo do que os modelos previam, o que levanta dúvidas sobre quantos pulsares realmente existem no núcleo galáctico.
Por que a descoberta é importante
Se confirmado, o candidato permitiria estudos únicos do ambiente próximo ao buraco negro central da Via Láctea.
Com mais de quatro milhões de vezes a massa do Sol, Sagitário A* exerce influência gravitacional intensa sobre sua vizinhança, e pulsares em órbita ali seriam instrumentos naturais para testar a teoria da relatividade com precisão inédita.
A combinação de rotação rápida e campos magnéticos extremamente fortes faz do pulsar um laboratório para física em condições que não podem ser reproduzidas na Terra.
Próximos passos na busca
Os pesquisadores seguem analisando os sinais para confirmar se o BLPSR é realmente um pulsar, e observações adicionais serão essenciais para determinar sua posição e órbita.
Projetos futuros, como o Square Kilometre Array, prometem sensibilidade e resolução superiores, o que deve ampliar a busca e permitir mapear melhor a população de pulsares no centro galáctico.
Enquanto a confirmação não vem, o achado já acende a possibilidade de novos testes da física fundamental e de um olhar mais detalhado sobre o coração turbulento da nossa galáxia.
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