Tarifas de Trump passam a valer, Brasil fica entre vencedores

Tarifas de Trump entram em vigor no dia do discurso no Congresso
Na noite em que o presidente Donald Trump faz o discurso de Estado da União, entram em vigor novas medidas tarifárias anunciadas pela Casa Branca, em um movimento que muda regras comerciais globais.
O discurso, previsto para começar às 23h, horário de Brasília, deve ser longo e focado em economia, tema que preocupa eleitores americanos por causa do custo de vida, sobretudo em alimentos e moradia.
Uma pesquisa da Universidade Quinnipiac divulgada no início do mês apontou que apenas 39% dos eleitores registrados aprovam a gestão da economia por Trump, enquanto 56% a desaprovam, e outra pesquisa, da NPR/PBS News/Marist, registrou que a aprovação estava em torno de 36%, o índice mais baixo na série histórica de seis anos do levantamento, conforme informação divulgada pela imprensa americana.
Como funcionam as novas tarifas
Na prática, a Suprema Corte limitou o uso de uma legislação da década de 1970 que o governo havia usado para impor taxas sem aprovação do Congresso. Em resposta, a administração anunciou uma nova tarifa global de 15%, que foi apresentada como temporária por 150 dias antes de precisar de aval do Legislativo.
Por ora, a medida entrou em vigor independentemente da decisão do Judiciário, o que deu caráter imediato às mudanças e pressão sobre negociações comerciais, investimentos e cadeias produtivas globais.
Impacto para o Brasil, setores e exceções
O anúncio deixou o Brasil entre os principais beneficiados, pois o país se livrou de tarifas recíprocas de 10% anunciadas em abril de 2025 e da sobretaxa de 40% anunciada em julho de 2025 em carta de Trump a Lula. Em declaração, o vice-presidente Geraldo Alckmin disse, "Zerou para combustível, carne, café, celulose, suco de laranja, aeronaves".
Além disso, itens estratégicos como minerais críticos, semicondutores e alguns eletrônicos, entre eles processadores, memórias e máquinas para fabricar semicondutores, receberam tratamento que evita a sobretaxa imediata, aliviando parte da indústria de tecnologia nacional e internacional.
O que esperar do discurso e dos efeitos econômicos
Trump já antecipou, "será um discurso longo, temos muito a falar", e a expectativa é que ele enfatize a agenda econômica, a disputa com a China e a atração de investimentos para os Estados Unidos, temas que impactam diretamente tecnologia e infraestrutura.
Uma preocupação crescente é o custo de financiar a infraestrutura, por exemplo, o aumento do consumo de energia por data centers das big techs, em meio à corrida das inteligências artificiais. O governo americano terá de equilibrar incentivos, pressões comerciais e custos para suportar esse crescimento.
Riscos políticos e calendário
Com as eleições de meio de mandato em novembro, as decisões sobre tarifas e economia ganham contornos eleitorais, porque boa parte do Congresso será renovada. A aprovação do Congresso pode acabar mudando o rumo das tarifas, caso os legisladores decidam intervir.
Nas próximas semanas, empresas, governos e investidores vão monitorar tanto o teor do discurso quanto os desdobramentos no Congresso, pois a continuidade ou reversão das tarifas dependerá de negociações políticas e pressões setoriais.
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