Irã ameaça manifestantes, pena de morte e corte de internet aumentam tensão

Os protestos contra a crise econômica avançaram por várias cidades do país, em reação à queda do poder de compra e à inflação. As autoridades respondedem com medidas cada vez mais duras, incluindo avisos de punição extrema.
Autoridades de segurança e líderes religiosos intensificaram a retórica, enquanto a mobilização nas ruas segue nas noites, convocada também por figuras no exílio. As forças estatais adotaram cortes de comunicação e restrições a voos.
As informações a seguir são baseadas em reportagens e declarações publicadas pela Bloomberg, que levantou dados e depoimentos sobre a escalada e suas consequências, conforme informação divulgada pela Bloomberg.
Ameaça de pena de morte e discurso oficial
O líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, afirmou que a República Islâmica não vai tolerar "vandalismo" nem "pessoas agindo como mercenários de potências estrangeiras", segundo a cobertura da Bloomberg.
Um procurador de Teerã avisou que "quem danificar patrimônio público pode ser condenado à morte". O Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica afirmou que "a continuação dessa situação é inaceitável" e que tem o direito de se vingar de "atos terroristas".
Com essa retórica, o governo sinaliza endurecimento contra manifestações, mesmo com declarações oficiais reconhecendo reivindicações econômicas que motivam os protestos.
Vítimas, números e relatos de violência
Desde o início dos protestos, 42 pessoas morreram, segundo a Human Rights News Agency, com sede nos EUA, que monitora manifestações e ativistas políticos no Irã. A BBC confirmou pelo menos 21 dessas mortes.
Vídeos publicados em redes sociais mostram confrontos e grupos reunidos em vias principais de Teerã e outras cidades, apesar de autoridades tentarem bloquear a circulação de imagens e relatos.
Em registros verificados por veículos internacionais, manifestantes em Isfahan derrubaram a placa de uma filial da TV estatal, enquanto chamas eram vistas ao fundo, o que alimentou as tensões entre civis e órgãos públicos.
Apagão da internet e impacto nas viagens
O grupo de monitoramento NetBlocks informou na quinta-feira um apagão nacional da internet no Irã. Tentativas de contato por telefone e celular apresentaram falhas, e o envio de mensagens SMS ficou muito restrito, segundo a reportagem da Bloomberg.
Os distúrbios também afetaram o tráfego aéreo, com companhias estrangeiras cancelando todos os voos de sexta-feira entre Teerã e Istambul a partir das 11h30, horário local, e atrasos e cancelamentos em Dubai, conforme sites de aeroportos citados pela Bloomberg.
Autoridades costumam recorrer a essas medidas para dificultar a divulgação de imagens da violência e a coordenação de atos, o que limita fontes independentes dentro do país.
Contexto político e reações externas
Os protestos começaram no Grande Bazar de Teerã em 28 de dezembro, após queda da moeda e agravamento do custo de vida, e são apontados como o maior desafio ao governo de Khamenei desde a revolta de 2022.
Reza Pahlavi, exilado nos EUA, convocou, em postagens nas redes sociais, a "aumentar ainda mais a multidão" na noite seguinte, segundo a Bloomberg. O ex-presidente dos EUA, Donald Trump, chamou Pahlavi de "pessoa legal" e alertou que o Irã não deveria matar manifestantes, dizendo que "se fizerem isso, vão pagar caro".
Khamenei respondeu que Trump deveria "se preocupar em governar seu próprio país, se for capaz", e acusou que as mãos do governo americano estão "manchadas de sangue" após ataques aéreos contra o Irã, conforme relatos publicados pela Bloomberg.
Em um cenário marcado por queda nos preços do petróleo, corrupção e sanções, a economia iraniana segue pressionando a população, enquanto o governo intensifica medidas para conter a mobilização social.
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