Sanções esportivas contra EUA parecem improváveis antes da Copa-2026

Sanções esportivas aos EUA dificultadas por poder político e econômico
O ataque militar dos Estados Unidos à Venezuela reacendeu o debate sobre a possibilidade de punições esportivas a países envolvidos em atos considerados ilegais pelo direito internacional.
Na teoria, as regras da Fifa e do COI permitem medidas excepcionais, porém, na prática, o peso simbólico e financeiro dos Estados Unidos torna pouco provável uma sanção antes da Copa do Mundo de 2026 e dos Jogos de Los Angeles-2028.
Conforme informação divulgada pelo g1
Bases jurídicas e lacunas nos regulamentos
Tanto a Fifa quanto o COI incorporaram compromissos com direitos humanos e mecanismos para aplicar penalidades por violações, sem citar explicitamente termos como guerra ou crime de agressão.
A Fifa prevê artigos sobre direitos humanos, não discriminação e suspensão de associações em situações excepcionais, e o COI reserva medidas pela Regra 59 da Carta Olímpica, que autoriza advertências e suspensões.
Precedentes, pressão política e decisões não automáticas
Há precedentes de exclusões esportivas em conflitos, como a antiga Iugoslávia nos anos 1990 e a suspensão de clubes e seleções russas após a invasão da Ucrânia.
Como mostrou o caso da Rússia, a medida não foi automática, ela veio após forte pressão política e esportiva de federações e governos, e após recomendação formal do COI.
Como alertou o advogado Vitor Hugo Almeida, "O precedente da Rússia é bastante ilustrativo. Inicialmente, a Fifa anunciou sanções mais brandas. Poucos dias depois, sob forte pressão política de governos e associações europeias, e seguindo recomendação do próprio COI, decidiu pela suspensão total. Esse movimento não foi acompanhado de tratamento equivalente em relação a outros envolvidos em conflitos armados."
Por que punir os EUA é algo improvável hoje
Especialistas apontam que a desigualdade de poder no sistema esportivo global torna a aplicação de sanções esportivas aos EUA altamente improvável, salvo uma mobilização internacional muito expressiva.
Conforme observou um dos advogados ouvidos, "Não são atos semelhantes até o momento. A Rússia permanece por anos em guerra com a Ucrânia. No caso da operação norte-americana, foi mantido o governo da Venezuela e não há indicação de novos ataques. Sempre frisando que 'até este momento'".
O mesmo especialista complementou, "Na confusa ordem mundial, que ensaia um redesenho com a decadência do multilateralismo e o ressurgimento de potências hemisféricas que aspiram a condução do que seria a nova ordem, os demais países não conseguem se posicionar de maneira taxativa, 'pisam em ovos', o que praticamente anula qualquer perspectiva política para sancionar os EUA."
O caminho à frente e o papel das federações
Em última instância, a decisão de aplicar sanções esportivas aos EUA dependeria de um equilíbrio entre fundamentos jurídicos, precedentes esportivos e pressão política internacional, um conjunto que hoje não parece convergir contra Washington.
Fifa e COI não se pronunciaram sobre o caso, e a expectativa é de que ambos preservem integridade, segurança e calendário dos grandes eventos, diante da complexidade geopolítica e do impacto comercial que uma sanção poderia provocar.
Veja Também:
Voos sobre os Andes lideram turbulência em 2025, Mendoza-Santiago em 1º
UCP, Protocolo de Comércio Universal: compras com agentes de IA
Como a recessão das amizades está deixando pessoas mais solitárias
IA causa escassez de memória e fabricantes evitam expandir
