Ataque à residência de Putin, acusação que abala negociações de paz

As autoridades russas afirmaram que a Ucrânia tentou atingir a residência do presidente Vladimir Putin no norte da Rússia, em um episódio que veio a público no momento em que Kiev e Washington relatavam avanço nas negociações para encerrar a guerra.
Conforme as autoridades russas, 91 drones de longo alcance teriam sido interceptados pelas defesas aéreas, sem feridos e sem danos, e o Kremlin disse que revisaria sua posição nas conversas de paz, embora não tenha apresentado evidências públicas das alegações.
Em reação, o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky negou a versão russa e acusou Moscou de tentar sabotar o progresso nas negociações, após encontro com o presidente dos EUA, Donald Trump, em que teriam avançado em um possível acordo, conforme informação divulgada pela Reuters.
O que a Rússia afirmou e as declarações oficiais
O ministro das Relações Exteriores, Sergei Lavrov, afirmou que a tentativa de ataque ocorreu na região de Novgorod, e que foram usados 91 drones de longo alcance, todos destruídos pelas defesas aéreas, sem vítimas e sem danos.
Lavrov descreveu a ação como "terrorismo de Estado", e avisou que, "tais ações imprudentes não ficarão sem resposta". Em comentários transmitidos à mídia russa, ele disse que alvos já haviam sido selecionados para ataques de retaliação pelas Forças Armadas da Rússia.
Fontes do Kremlin informaram também que o presidente Putin conversou por telefone com Donald Trump, e que a Rússia estava revendo sua posição nas negociações após o ataque relatado, segundo um assessor citado pela Reuters.
Resposta de Kiev e reação internacional
O presidente Volodymyr Zelensky negou que a Ucrânia tenha planejado o incidente e afirmou que Moscou estaria forjando um pretexto para ataques em prédios do governo ucraniano, com o objetivo de minar o avanço diplomático com os EUA.
Zelensky disse aos repórteres via WhatsApp que era "outra rodada de mentiras da Federação Russa", e que, diante do encontro com Trump, a Rússia vê progresso entre Kiev e Washington como uma falha para seus interesses.
O ministro das Relações Exteriores ucraniano, Andrii Sybiha, também publicou no X que a versão russa era uma invenção para criar um pretexto para novos ataques e pediu que líderes mundiais condenassem a acusação, citando o risco de escalada.
Impacto sobre as negociações e pontos ainda em disputa
O episódio surge logo depois do encontro entre Zelensky e Trump na Flórida, em que o presidente dos EUA afirmou que estavam "chegando muito mais perto, talvez muito perto" de um acordo para pôr fim à guerra, embora questões territoriais continuem espinhosas.
Zelensky afirmou que havia delineado com Trump garantias de segurança, e que buscava um acordo de segurança de 50 anos, enquanto Trump disse que as partes europeias deveriam assumir parte das responsabilidades, e que o acordo estava "95% prontos", segundo relatos citados pela Reuters.
Entre os pontos centrais que seguem sem solução estão o controle da usina de Zaporizhzhia, que está sob controle russo, e o destino da área de Donbas. A Rússia exige a retirada das tropas ucranianas de partes do Donetsk que permanece contestado, e Kiev quer cessar-fogo nas linhas atuais.
Situação militar e risco de nova escalada
O presidente Putin orientou o Exército russo a prosseguir com uma campanha para assumir o controle total da região de Zaporizhzhia, área em que Moscou já controla cerca de 75%, segundo informações divulgadas pela Rússia.
O coronel-general Mikhail Teplinsky, comandante do agrupamento militar russo de Dnieper, disse a Putin que as forças russas estavam a 15 km da maior cidade da região, também chamada Zaporizhzhia, e que era necessário continuar a ofensiva para "libertar" a área.
Analistas alertam que a acusação de um suposto ataque contra a residência presidencial, sem apresentação pública de provas, pode ser usada para justificar novas ações militares e para endurecer exigências em qualquer acordo futuro, elevando o risco de retrocesso nas negociações.
Fontes citadas incluíram relatos oficiais do governo russo e declarações de Kiev e do próprio Zelensky, conforme informação divulgada pela Reuters.
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