Camil Alimentos 2026 aposta em margens, portfólio premium e expansão no Paraguai para recuperar lucro, BTG e Santander aprovam expectativa de recuperação

A Camil inicia 2026 focada em elevar margens, ampliar o portfólio premium e integrar a aquisição paraguaia Villa Oliva, buscando compensar o efeito da queda nos preços do arroz.
Analistas veem recuperação operacional ao longo do ano, apoiada por vendas de produtos de maior valor agregado e pela expansão internacional, com impacto positivo no caixa e no resultado.
As projeções e comentários constam em relatórios do BTG Pactual e do Santander, que seguem otimistas sobre a trajetória da companhia, conforme informações do BTG Pactual e do Santander.
Recuperação operacional, projeções financeiras e avaliações dos bancos
O BTG projeta que a Camil vai registrar lucro líquido de R$ 324 milhões em 2026, alta de 37% em relação a 2025, além de um EBITDA projetado de R$ 987 milhões, com margem de 8,6%, acima dos 8,3% estimados para 2025.
Os analistas Thiago Duarte e Guilherme Gutilla afirmam, em relatório, "Os resultados operacionais estão melhorando e devem ganhar fôlego à medida que o cenário de preços se normalize", e mantêm recomendação de compra, com preço-alvo de R$ 10,00, potencial de valorização de 68,4% frente à cotação atual.
O Santander também destacou fundamentos mais sólidos após os resultados do terceiro trimestre fiscal de 2025, apontando que "A performance operacional, especialmente nas categorias de maior valor agregado, reforça o plano estratégico da companhia para 2026", afirma o relatório dos analistas Laura Hirata e Guilherme Palhares.
Desempenho por categoria e impacto da queda do arroz
A companhia reportou receita líquida de R$ 3 bilhões no trimestre, queda de 5% na comparação anual, porém acima das expectativas, e um EBITDA ajustado de R$ 236 milhões, com margem de 8%.
O segmento premium foi destaque, com crescimento de volume de 23% no terceiro trimestre, ficando 17% acima das estimativas do BTG, e ajudou a compensar a fraqueza na linha de alto giro, afetada pela queda de 49% nos preços do arroz, que reduziu a receita ainda com aumento de volume.
Expansão internacional com Villa Oliva e pressões na alavancagem
Um pilar importante da estratégia para 2026 é a expansão internacional, acelerada pela compra da Villa Oliva, no Paraguai, que já está incorporada ao balanço e deve contribuir com cerca de 25 mil toneladas por trimestre e entre US$ 40 milhões e US$ 50 milhões por ano em receita.
O segmento internacional gerou R$ 876 milhões em receita no trimestre, alta de 13,8% ante o mesmo período do ano anterior, mesmo com maiores despesas administrativas no Uruguai e custos de integração da estrutura paraguaia.
Apesar da melhora operacional, a empresa apresentou aumento de alavancagem, com a dívida líquida subindo R$ 436 milhões, reflexo do consumo de R$ 222 milhões em capital de giro, típico do período de formação de estoques de arroz.
A relação dívida líquida/EBITDA chegou a 4,8 vezes, ainda dentro do limite dos covenants, citados em 4,5 vezes ao fim do quarto trimestre fiscal, e o BTG projeta redução para 3,1 vezes até o fim do ano, acompanhada de recuperação do caixa e estabilização dos custos financeiros, observando que "O movimento é sazonal e deve se reverter com a liberação do capital de giro nos próximos trimestres".
O que observar em 2026
Para 2026, a trajetória dependerá da normalização dos preços do arroz, da execução do plano de produtos premium e da integração das operações internacionais, especialmente no Paraguai.
Investidores e analistas vão acompanhar quedas e recuperações de preço, evolução das margens nas categorias de maior valor agregado e a tendência de desalavancagem da companhia ao longo dos próximos trimestres.
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