EUA, petróleo e Venezuela: assessor de Putin acusa dois pesos

Críticas russas relacionam operação dos EUA na Venezuela ao petróleo
O assessor de política externa de Vladimir Putin, Kirill Dmitriev, reagiu à operação dos Estados Unidos contra a Venezuela, ao comentar a captura do ditador Nicolás Maduro e a possível intervenção norte-americana no país.
Dmitriev afirmou que a ação americana tem ligação direta com o petróleo venezuelano e fez duras críticas a líderes europeus e britânicos, apontando, também, contradições nas posições ocidentais.
Mais cedo, o Ministério das Relações Exteriores da Rússia condenou o ataque americano, conforme postagem de Kirill Dmitriev no X e nota do Ministério das Relações Exteriores da Rússia.
Por que o petróleo entrou no debate
Para Dmitriev, a questão central é a enorme reserva de hidrocarbonetos da Venezuela. Ele destacou que “Venezuela possui as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo, que corresponde a cerca de 20%, ou sete vezes as dos EUA.” O assessor ressaltou que as sanções impactaram a produção do país.
Segundo a mesma publicação, “As sanções impostas pelos americanos ajudaram a manter a produção em torno de 700 mil barris por dia em comparação com a capacidade de 3 milhões.” Dmitriev usou esses números para argumentar sobre a influência no mercado global.
Impacto na oferta global e a comparação com a Arábia Saudita
O assessor também avaliou o efeito da soma das capacidades dos dois países, ao lembrar que, “somando a capacidade da Venezuela e dos EUA, a produção de petróleo conjunta estaria próxima de 20% da oferta global, quase duas vezes a da Arábia Saudita, que é de 10%.” Para Dmitriev, isso daria uma “enorme influência” no mercado energético.
Ao relacionar reserva, capacidade e sanções, a análise russa busca oferecer uma explicação geopolítica para a operação americana, levando em conta interesses energéticos.
Críticas aos líderes europeus e citação sobre valores
Dmitriev, em seu perfil no X, não poupou sanções e aliados ocidentais. Ele escreveu, “É hora de observar os dois pesos e duas medidas em tempo real”, e chamou a atenção para o que definiu como hipocrisia de certas lideranças.
Em outra postagem, ele criticou diretamente autoridades da União Europeia e do Reino Unido, ao dizer, “Que venham agora Ursula (von der Leyen, presidente da Comissão Europeia), e Kaja (Kallas, chefe de Relações Exteriores e Segurança da União Europeia), (primeiro-ministro alemão, Friedrich) Merz e (Keir) Starmer (primeiro-ministro do Reino Unido), falar sobre valores europeus e britânicos. Seus falsos valores estão à venda”.
Dmitriev acrescentou ainda uma metáfora teatral, ao afirmar, “Esperar que os vassalos assustados falem é como a peça 'Waiting for Godot'”, em referência à obra de Samuel Beckett.
Menção à fala de Trump e risco de administração temporária
O assessor também repercutiu uma declaração atribuída a Donald Trump sobre o futuro do país, ao destacar que, segundo o ex-presidente, “Os EUA simplesmente governarão a Venezuela por enquanto”, frase que Dmitriev trouxe como evidência do caráter estratégico da intervenção americana.
As críticas russas, e a menção a decisões sobre controle político e energético, mostram como o caso da Venezuela tem sido enquadrado por Moscou, tanto em termos de soberania quanto de mercado global de petróleo.
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