IA ajuda a identificar pegadas de dinossauros por 8 sinais

Pesquisadores desenvolveram um método com inteligência artificial para tentar descobrir quais dinossauros deixaram determinadas marcas no solo, usando características objetivas das impressões.
A técnica foi treinada em 1.974 silhuetas de pegadas, cobrindo cerca de 150 milhões de anos da história dos dinossauros, e detecta padrões que ajudam a diferenciar tipos de animais que deixaram as marcas.
Os detalhes e as declarações dos autores foram divulgados em publicação científica, conforme informação divulgada pela Reuters.
Como a IA distingue uma pegada
O algoritmo aprendeu a reconhecer oito características que explicam a variação na forma das pegadas, permitindo uma classificação mais objetiva do que a análise puramente visual.
As oito características são, exatamente, carga e forma geral, refletindo a área de contato do pé com o solo, a posição da carga, a distância entre os dedos, como os dedos se ligam ao pé, a posição do calcanhar, a carga do calcanhar, a ênfase relativa dos dedos em relação ao calcanhar, e a discrepância de forma entre os lados esquerdo e direito da pegada.
Dados e mapeamento para tipos de dinossauros
Muitas pegadas usadas no treinamento já tinham identificação confiável por especialistas. Depois que a IA encontrou as características diferenciadoras, os pesquisadores mapearam como esses sinais correspondem a vários tipos de dinossauros conhecidos.
Esse mapeamento serve como guia para identificar futuras marcas, transformando medidas morfológicas em pistas sobre se uma pegada pertenceu a um terópode bípedo, a um saurópode pesado ou a outro grupo.
O que dizem os pesquisadores
Gregor Hartmann, do Helmholtz-Zentrum Berlin, principal autor do estudo, afirmou, “Isso é importante porque fornece uma maneira objetiva de classificar e comparar pegadas, reduzindo a dependência da interpretação humana subjetiva”.
Steve Brusatte, paleontólogo da Universidade de Edimburgo e autor sênior do estudo, destacou, “Combinar pegadas com seus criadores é um grande desafio, e os paleontólogos vêm discutindo sobre isso há gerações”.
Hartmann também alertou para as incertezas, lembrando que, “O problema é que identificar quem fez uma pegada fossilizada é inerentemente incerto”.
Limitações, variabilidade e implicações
Os autores observam que a forma de uma pegada depende de muitos fatores além do animal, incluindo comportamento no momento da marca, como caminhar, correr, pular ou até mesmo nadar, a umidade e o tipo do substrato, e alterações por erosão ao longo de milhões de anos.
Por isso, a mesma espécie pode deixar pegadas com aparências muito diferentes, e a IA não promete respostas absolutas, mas uma ferramenta para reduzir a subjetividade e orientar investigações.
Por que o avanço importa
As pegadas de dinossauros são fósseis abundantes e trazem informações sobre comportamento, ambiente e coexistência entre espécies, quando comparadas com outras evidências, como ossos e ovos.
Ao oferecer critérios mensuráveis, o método com IA pode melhorar o estudo de trilhas fossilizadas em comunidades científicas e museus, além de ajudar a reconstruir ecossistemas antigos com mais consistência.
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