Milei obtém aprovação do Orçamento 2026 no Senado, vitória legislativa após meio de mandato, supera tensão com Macri e fortalece acordo de US$ 20 bilhões com o FMI

O Senado da Argentina aprovou o projeto do Orçamento 2026 em votação geral, consolidando uma vitória legislativa importante para o presidente Javier Milei.
A proposta foi aprovada por 46 a 25, e um senador se absteve, resultado que mostra apoio além da bancada do governo.
Esses dados constam na cobertura da Bloomberg, conforme informação divulgada pela Bloomberg.
Como foi a votação no Congresso
Em uma sessão decisiva, os senadores validaram o texto base do Orçamento 2026, na primeira aprovação orçamentária desde que Milei assumiu, em 2023. A vitória legislativa veio após o partido do presidente ampliar sua presença nas eleições de meio de mandato e se tornar a maior bancada na Câmara dos Deputados.
Milei conta com 19 senadores em seu partido, e obteve apoio de outras legendas para alcançar a margem final de 46 a 25, com um senador se absteve na votação geral.
Conteúdo fiscal e autorização para dívida externa
O projeto tem foco em política fiscal, e também autoriza o governo a emitir dívida no exterior, conforme exigência de uma lei do governo anterior que pede aval do Congresso para venda de títulos internacionais ou acordos com o Fundo Monetário Internacional.
A legislação vem em momento sensível, já que a Argentina deve cerca de US$ 4,5 bilhões aos detentores de títulos em 9 de janeiro, informação que consta na reportagem da Bloomberg. O ministro da Economia, Luis Caputo, sinalizou que o governo não pretende emitir novos títulos no exterior em janeiro para refinanciar parte desses pagamentos.
Impacto no acordo com o FMI
A aprovação também coloca o acordo de US$ 20 bilhões com o FMI em bases mais sólidas no início do novo ano, contribuindo para a sustentação do superávit fiscal buscado por Milei.
Analistas veem o resultado como um teste político importante, depois de dois anos em que o presidente governou em grande parte por decretos. A aprovação do Orçamento 2026 é interpretada como uma demonstração de capacidade de negociação no Congresso.
Rachas internos e relação com Mauricio Macri
O processo orçamentário reacendeu tensões entre Milei e aliados, em especial em duas frentes. O presidente tentou alterar gastos com universidades e programas para pessoas com deficiência, assuntos que entraram em choque com blocos de centro e foram removidos pela Câmara dos Deputados durante a tramitação.
Além disso, Milei deixou de indicar o ex-presidente Mauricio Macri, do partido PRO, para uma vaga no conselho da Auditoria Geral da Nação, gerando irritação entre parlamentares ligados a Macri. Apesar das fricções, os votos do partido de Macri e de outras legendas foram decisivos para aprovar o Orçamento 2026.
Com o texto aprovado, o governo agora segue para o próximo desafio legislativo, a proposta de reforma trabalhista que será debatida em fevereiro, e que pode testar novamente a capacidade de Milei de costurar acordos no Congresso.
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