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Selic em queda pode impulsionar o varejo na bolsa em 2026, entenda por que Renner, C&A, RD Saúde e Vivara aparecem entre as apostas dos investidores

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Índice
  1. Expectativa de corte da Selic em 2026 deverá destravar valorização do varejo na bolsa, beneficiando especialmente empresas alavancadas e segmentos de vestuário, cosméticos e viagens

Expectativa de corte da Selic em 2026 deverá destravar valorização do varejo na bolsa, beneficiando especialmente empresas alavancadas e segmentos de vestuário, cosméticos e viagens

O ano foi de bons resultados para várias ações do varejo na bolsa, e a perspectiva agora volta-se para 2026, quando economistas esperam o início de cortes da Selic. Uma redução dos juros tende a melhorar o poder de consumo, cenário favorável para redes de moda e bens não essenciais.

Além do impacto direto no consumo, a queda da Selic altera o valuation das empresas listadas, elevando os valores trazidos a valor presente e reduzindo a corrosão causada por juros altos.

As observações sobre esse movimento foram feitas por executivos e estrategistas em declarações públicas, e ajudam a explicar por que nomes como Renner, C&A, Vivara e RD Saúde aparecem nas preferências de bancos e corretores, conforme informações divulgadas pela Renner e pela Santander Corretora.

Como a Selic afeta o valuation e o consumo

Do ponto de vista financeiro, a redução da Selic melhora o valuation porque os fluxos futuros das empresas são menos corroídos por juros altos. Na prática, isso significa que os mesmos resultados operacionais passam a valer mais hoje, o que tende a empurrar os preços das ações para cima.

Na coletiva em que comentou o tema, o CEO da Renner, Fabio Adegas, resumiu esse efeito, "Do ponto de vista do valuation das empresas na bolsa, a simples redução dos juros já gera um valor mais alto. Isso permite que os valores sejam trazidos a valor presente com um patamar muito maior, já que não são tão corroídos pelos juros altos".

Quais varejistas têm mais chance de se valorizar

O estrategista Ricardo Peretti, do Santander Corretora, cita C&A, Renner, Vivara e RD Saúde como as queridinhas do banco, lembrando que o primeiro semestre foi bom, apesar de choques climáticos no ano anterior. "No geral, vimos um primeiro semestre bom, sobretudo ao considerarmos que no mesmo período de 2024 tivemos as enchentes do Rio Grande do Sul. Os resultados vêm desacelerando na segunda parte do ano, principalmente pelo cenário de juros altos e poder de consumo baixo. Mas nada desesperador", disse Peretti.

Peretti também aponta que o impacto varia por segmento. Produtos não essenciais, como vestuário, cosméticos e viagens, tendem a ganhar mais com a retomada do consumo. Já categorias como drogarias e atacarejos são menos sensíveis a cortes de juros.

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Quanto de corte faria diferença

Para investidores, a magnitude do corte importa tanto quanto o momento. Segundo Peretti, há espaço para valorização se o corte for significativo. "Se for um corte além dos 275 bps [o equivalente a 2,75%], há espaço para valorização. Menos porque achamos que haverá um grande aumento do consumo, mas mais pela sensibilidade dos investimentos aos juros, sobretudo quando falamos de empresas muito alavancadas."

Além disso, a esperada queda da Selic tem trazido de volta compradores locais ao mercado, após forte participação de investidores estrangeiros durante o ano. "Com a expectativa de corte, vemos neste fim de ano compradores locais voltando a contribuir", afirmou Peretti.

Riscos e limites do impacto sobre vendas

Mesmo com juros mais baixos, nem todo tipo de consumo deverá crescer de forma homogênea. Itens essenciais ou de demanda inelástica, por exemplo, costumam reagir menos a ganhos de renda ou a quedas de preço.

Peretti sintetiza esse ponto com um exemplo cotidiano, "Uma pessoa não costuma comprar um antigripal a mais porque o preço está mais baixo", lembrando que o efeito sobre receita e margem pode ser mais pronunciado em categorias discricionárias do que em bens de necessidade.

Em resumo, a expectativa de corte da Selic em 2026 já está sendo incorporada nas avaliações do mercado, e pode ampliar a valorização das ações de varejo, sobretudo daquelas mais alavancadas e expostas a consumo discricionário, caso os cortes sejam mais profundos do que o mercado hoje projeta.

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