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Como o Instituto Ponte uniu gestão profissional com propósito e acelerou a ascensão social de jovens da escola pública, reduzindo evasão e multiplicando renda

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Índice
  1. Instituto Ponte combina práticas de gestão empresarial, indicadores e contratos de resultado para identificar talentos em escolas públicas e promover ascensão social em uma geração

Instituto Ponte combina práticas de gestão empresarial, indicadores e contratos de resultado para identificar talentos em escolas públicas e promover ascensão social em uma geração

A trajetória do Instituto Ponte começou quando sua fundadora, ao se aproximar dos 40 anos, fez uma pergunta decisiva sobre o futuro, e decidiu ir a campo buscar respostas.

Depois de 20 anos na Morar Construtora, ela percorreu projetos sociais e montou uma organização com mentalidade empresarial, metas e avaliação contínua.

O relato e os números da iniciativa foram apresentados em entrevistas e episódios do programa Do Zero ao Topo, conforme informação divulgada pelo InfoMoney.

Origem e propósito

Aos quase 40 anos, durante discussões sobre sucessão familiar, Bartira Almeida se fez uma pergunta decisiva, "O que eu quero fazer na segunda metade produtiva da minha vida?" Filha de engenheiros e criada em uma família do setor imobiliário, Bartira passou duas décadas na Morar Construtora, onde começou como estagiária e chegou à vice-presidência.

Sobre a formação e a passagem pela empresa familiar, ela diz, "Eu aprendi a trabalhar na Morar. Aprendi a fazer bem-feito, a me relacionar, a pensar no longo prazo. Tudo o que sou como gestora foi construído ali."

A busca por propósito a levou a visitar 42 projetos sociais em dois anos, e a percepção foi clara, "Eu encontrei projetos muito mais sérios do que imaginava, mas com menos gestão do que eu esperava. Eu queria um projeto com meta, avaliação, número e resultado. Como não encontrei, entendi que teria que fundar um", conta a presidente do Instituto.

Gestão com metas e contratos de resultado

Desde sua fundação, o Instituto Ponte foi estruturado com mentalidade empresarial. A organização trabalha com orçamento, metas, indicadores, avaliação de desempenho e contratos de resultado, refletindo a visão de que "ONG funciona igual empresa. Tem CNPJ, orçamento e gente. O que muda é o propósito", nas palavras da fundadora.

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Em 2014, Bartira definiu uma meta inicial bem prática, conquistar seis doadores dispostos a investir R$ 30 mil por ano. Ela conseguiu cinco, e sobre a sexta vaga afirmou, "Se eu não conseguisse, era um sinal de que o projeto não deveria existir. Entendi o recado. A sexta era eu."

A abordagem é direta, com foco em resultados mensuráveis, e Bartira resume seu método, "Eu administro impacto como fluxo de caixa."

Impacto e números

O foco do Instituto é identificar jovens talentosos da escola pública e acelerar sua ascensão social em uma única geração, "A gente é o olheiro da escola pública. Procuramos inteligência acima da média e vontade real de mudar de vida."

Hoje, o Instituto Ponte atende 466 alunos em 19 estados. O indicador de renda é um dos mais expressivos, pois, em média, os alunos que passam pelo instituto ganham seis vezes mais do que a renda per capita da família quando se formam.

Outro dado relevante é a evasão universitária, muito abaixo das médias nacionais, "Apenas 2%, contra médias nacionais de até 40%". Bartira ressalta que a educação é um compromisso de longo prazo, "Nosso ciclo dura 10 anos. Quando eu coloco um aluno hoje, eu estou assumindo um compromisso financeiro de dez anos."

Desafios e expansão

Nos últimos três anos, o Instituto cresceu cerca de 30% ao ano, mas a expansão é tratada com cautela. A meta é chegar a 650 alunos até 2029, o que exige R$ 30 milhões em recursos financeiros e cerca de R$ 80 milhões em parcerias.

Sem recursos públicos, a organização depende exclusivamente de doações privadas, e Bartira descreve a nova rotina com franqueza e humor, "Eu deixei de ser vice-presidente para virar uma pedinte ambulante."

Ela também destaca o aprendizado mútuo entre os mundos privado e social, "Eu levei números, metas e objetividade. Eles me ensinaram acolhimento e equidade. Não dá para falar de meritocracia sem falar de equidade."

O desafio agora é equilibrar crescimento e qualidade, mantendo a metodologia baseada em gestão profissional e propósito, e atraindo financiadores que aceitem compromisso de longo prazo e avaliação de impacto.

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