Engie estuda minerar Bitcoin em maior usina solar do Brasil

A Engie anunciou que estuda utilizar parte da energia excedente gerada em seu maior parque solar no Brasil para alimentar sistemas de mineração de Bitcoin ou grandes soluções de armazenamento de energia.
A iniciativa busca transformar energia que hoje não pode ser entregue à rede por limitações de infraestrutura em novas fontes de receita para a companhia, com foco no complexo solar Assú Sol, no Rio Grande do Norte.
O projeto ainda passará por análises técnicas e de mercado, e a empresa diz que avaliará parceiros e potenciais compradores para essas cargas nos próximos anos, conforme informação divulgada pela Engie.
Em conversa com jornalistas, Eduardo Sattamini, presidente da Engie Brasil Energia, disse que "o projeto ainda está em fase de estudos e não deve sair do papel no curto prazo".
O que é o complexo Assú Sol
O complexo Assú Sol reúne 16 usinas fotovoltaicas com capacidade total de 753 MW, construído com investimento de cerca de R$ 3,3 bilhões, ocupando uma área de mais de 2,3 mil hectares.
A energia gerada por Assú Sol é suficiente para atender o consumo anual de uma cidade de cerca de 850 mil habitantes, segundo a informação divulgada pela Engie.
Por que a Engie considera mineração de Bitcoin
A ideia é aproveitar o excedente que hoje sofre com os chamados cortes de geração, ou curtailments, quando a rede não consegue absorver toda a energia produzida.
Com a expansão acelerada de parques solares e eólicos, gargalos na transmissão e um crescimento de demanda menos intenso, geradores renováveis têm enfrentado perdas e custos, o que estimula soluções para consumir energia localmente.
Viabilidade, infraestrutura e próximos passos
A implantação de um sistema de mineração de Bitcoin ainda depende de estudos sobre viabilidade econômica, disponibilidade de infraestrutura e escolha de parceiros tecnológicos e comerciais.
A Engie informou que seguirá estudando como integrar essas tecnologias à operação de Assú Sol ao longo dos próximos anos, e que avaliará potenciais parceiros e compradores para essas cargas.
Contexto maior da operação da Engie no Brasil
No país, a Engie opera capacidade instalada totalmente renovável de 15,7 GW, incluindo hidrelétricas, parques eólicos onshore e solares, além de 3.200 km de linhas de transmissão e 22 subestações.
Recentemente, em dezembro de 2025, o complexo eólico Serra do Assuruá, em Gentio do Ouro, Bahia, entrou em operação comercial plena com capacidade de 846 MW, o maior parque eólico onshore em operação do grupo no mundo.
Enquanto o plano de usar excedentes para mineração de Bitcoin segue em estudo, a proposta reforça uma tendência entre geradores renováveis, que buscam alternativas para mitigar perdas por curtailments e monetizar a produção não entregue ao sistema elétrico.
Veja Também:
Strategy completa 100ª compra de bitcoin, adquire 591 BTC por US$ 40 milhões e eleva reservas para 717.722 bitcoin, mantendo liderança corporativa
ShinyHunters ameaça divulgar dados do Pornhub Premium, pede resgate em bitcoin, amostra foi autenticada pela Reuters e preocupa milhões de usuários
Bitcoin pode disparar em 2026 com expansão da liquidez global, diz Arthur Hayes, e Fed, bancos e programas hipotecários podem impulsionar alta
Liquidez global pode destravar o próximo ciclo do bitcoin em 2026, diz Arthur Hayes, dólar, Fed e compras de ativos podem impulsionar alta
Mercado Bitcoin compra corretora do Banco Mercantil e expande
