JBS no Russell pode atrair até US$ 960 milhões e redefinir liquidez das ações nos EUA com inclusão nos índices Russell 1000 e 3000, diz Santander

JBS pode ter um aumento expressivo na liquidez de suas ações nos Estados Unidos caso entre nos índices Russell 1000 e Russell 3000, segundo análise do banco Santander.
O relatório do banco projeta um fluxo combinado que pode alcançar US$ 960 milhões com aportes de fundos passivos e ativos, um número capaz de alterar o padrão de negociação dos papéis no mercado americano.
Essas projeções constam em relatório divulgado pelo Santander em 19 de janeiro, com publicação na imprensa em 20 de janeiro de 2026, conforme análise do Santander, publicada em 20 de janeiro de 2026.
O cálculo do impacto no fluxo de investimentos
Na estimativa do banco, apenas os passive funds, ou fundos que replicam índices, poderiam representar um volume de até US$ 200 milhões, o equivalente a 2 a 3 dias de negociação das ações da companhia.
Com a inclusão de ativos de gestores ativos, o impacto estimado sobe significativamente, alcançando o equivalente a 11 a 13 dias de negociação, e totalizando, segundo o Santander, até US$ 960 milhões de fluxo potencial.
Os índices Russell 1000 e Russell 3000 são referências amplamente utilizadas por investidores institucionais, e a entrada da companhia nessas carteiras tende a ampliar a visibilidade e a demanda por JBS no mercado americano.
Riscos que podem afetar a tese
O relatório do Santander alerta para fatores que podem limitar ou reverter os efeitos positivos da inclusão, começando pelo ciclo negativo do gado nos Estados Unidos e na Austrália.
A indústria de carne bovina americana enfrenta contração, com redução do rebanho e queda na oferta de animais em confinamento. O USDA registra que o rebanho bovino está no menor nível em 75 anos, a produção recuou 4% em 2025, e a previsão é de nova queda, superior a 2%, em 2026.
Além disso, o banco cita riscos sanitários que afetem exportações, alta nos preços de grãos como o milho, possíveis questões jurídicas e de governança, e a valorização do real frente ao dólar, todos capazes de influenciar resultados e liquidez.
Valuation e perspectiva de preço
Mesmo com revisões negativas nos lucros esperados em razão do ciclo pecuário, o Santander aponta que os múltiplos da JBS permanecem atraentes. A companhia negocia a um múltiplo EV/EBITDA estimado para 2026 de 5,6x, enquanto o P/L projetado está em 3,4x.
O banco manteve recomendação de compra e definiu preço-alvo de US$ 17 para as ações ao final de 2026, o que representa um potencial de valorização de 16% em relação à cotação considerada.
Sobre posicionamento competitivo, o relatório afirma, textualmente, “Apesar da pressão nos resultados, a JBS está bem posicionada e com valuation atrativo frente aos pares, como Tyson Foods e Pilgrim’s Pride”.
O que muda na prática para investidores
Se confirmada a inclusão da JBS no Russell, investidores nos Estados Unidos podem ver aumento na liquidez e na frequência de negociação dos papéis, o que tende a reduzir custos de entrada e saída em posições relevantes.
Para o mercado brasileiro, movimentos de fluxos e ajustes de valuation da companhia no exterior podem repercutir na cotação em reais, especialmente se ocorrer mudança significativa na participação de investidores internacionais.
Em suma, a possível inclusão da JBS no Russell e o fluxo estimado de US$ 960 milhões aparecem como catalisadores relevantes no curto e médio prazo, mesmo diante dos riscos setoriais apontados pelo Santander.
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