OpenAI chinesa: Zhipu estreia em Hong Kong e capta US$ 558 milhões
A estreia da Zhipu em Hong Kong funcionou como um termômetro do apetite por empresas chinesas de inteligência artificial, em um momento de forte competição global, restrições geopolíticas, e capital seletivo.
As ações da Knowledge Atlas Technology JSC, conhecida como Zhipu, chegaram a subir até 15% na abertura, depois que a companhia levantou US$ 558 milhões em sua oferta pública inicial.
O IPO avaliou a Zhipu em cerca de HK$ 4,3 bilhões (US$ 551 milhões), e a empresa pretende usar a maior parte dos recursos para inovação, conforme informação divulgada pela Zhipu no prospecto do IPO.
Estreia e números do IPO
A saída para a bolsa tornou a Zhipu a primeira grande desenvolvedora chinesa de modelos de linguagem a abrir capital, dando contornos à estratégia da China para disputar liderança em IA com os Estados Unidos.
Na abertura, as ações subiram até 15%, depois de a companhia levantar US$ 558 milhões. O valuation de cerca de HK$ 4,3 bilhões (US$ 551 milhões) é expressivo para uma empresa fundada em 2019, mas ainda distante das gigantes americanas.
Do ponto de vista financeiro, a Zhipu segue em fase de consolidação, com receita de 312,4 milhões de yuans (cerca de US$ 44 milhões) em 2024, número modesto frente aos investimentos para treinar grandes modelos de linguagem.
Apoio estatal e riscos geopolíticos
A tese de investimento na Zhipu se apoia em parte no respaldo de Pequim, que incentiva a criação de campeãs nacionais em tecnologias estratégicas, e na ambição do país de reduzir dependência do Ocidente.
Ao mesmo tempo, existem riscos concretos. A Zhipu foi incluída na Lista de Entidades do Departamento de Comércio dos Estados Unidos, sob a alegação de colaboração com as forças armadas chinesas, o que limita acesso a tecnologias e expertise em semicondutores.
Esse gargalo pode comprometer a capacidade de atingir escala e competitividade tecnológica sem acesso irrestrito às cadeias globais de hardware de ponta.
Estratégia internacional e consolidação do setor
Para mitigar riscos regulatórios e geopolíticos, a Zhipu tem ampliado presença fora da China, com escritórios no Reino Unido, Singapura, e Malásia, além de atuação no Oriente Médio e Sudeste Asiático.
A empresa também integra o grupo conhecido como os "tigres da IA" da China, startups que desenvolvem grandes modelos de linguagem com ambição de rivalizar com OpenAI e Anthropic, e competidores como a DeepSeek já ganharam projeção global.
No prospecto, a Zhipu informou a intenção de destinar aproximadamente 70% dos recursos levantados no IPO para pesquisa e desenvolvimento, uma aposta clara na inovação contínua.
O que a estreia indica para investidores
A performance positiva na estreia sugere que o mercado, ao menos no curto prazo, está disposto a apostar na narrativa da OpenAI chinesa, especialmente quando há apoio estatal e estratégia de consolidação do setor.
Analistas veem o IPO como um passo para institucionalizar o ecossistema de IA na China, mas destacam o dilema entre crescer rápido para competir globalmente e operar em um ambiente fragmentado por barreiras tecnológicas e tensões geopolíticas.
Nos próximos dias, a atenção estará voltada para ofertas como a da MiniMax, que deve protocolar seu IPO, testando novamente o apetite do mercado e ajudando a definir se a estreia da Zhipu foi um ponto fora da curva, ou o início de uma nova janela para empresas chinesas de IA.
Veja Também:
IA de Musk cria nudez falsa: Brasileiras se sentem "sujas" após fotos editadas
Engenheiro de IA lidera vagas com salários de R$8 mil a R$30 mil
IA no X: Criar Nudes Falsos de Brasileiras é Crime com Pena de Prisão, Dizem Advogados
