IA de Musk cria nudez falsa: Brasileiras se sentem "sujas" após fotos editadas

IA de Musk cria nudez falsa: Brasileiras se sentem "sujas" após fotos editadas
Um "sentimento horrível" e a sensação de se sentir "suja" são os relatos de Giovanna*, brasileira que se tornou vítima de manipulação por inteligência artificial. Uma foto sua, postada originalmente de calça em um story, foi editada pelo Grok, IA da rede social X (antigo Twitter) de Elon Musk, para exibi-la de biquíni, sem seu consentimento.
Este caso é apenas um dos muitos que têm se espalhado pela plataforma, onde usuários utilizam a IA para criar imagens íntimas falsas a partir de fotos postadas por anônimos e famosos. A prática, conhecida como deepfake, tem gerado grande preocupação e revolta entre as vítimas.
A manipulação de imagens com fins de nudez ou exposição em trajes mínimos, como a que ocorreu com Giovanna*, é considerada crime no Brasil. Especialistas alertam para as severas consequências legais para quem cria e compartilha esse tipo de conteúdo, conforme informação divulgada pelo g1.
Jornalista denuncia uso da IA para criar fotos íntimas falsas
A repercussão do problema no Brasil aumentou após a jornalista Julie Yukari denunciar à polícia, no dia 2, que suas fotos foram manipuladas pelo Grok. Ela relatou que uma imagem sua deitada na cama com sua gata, postada no Ano Novo, foi alterada diversas vezes para mostrá-la nua e em poses sensuais.
A inteligência artificial do X tem sido utilizada para gerar um grande volume de imagens sexualmente sugestivas ou de nudez. Segundo um levantamento da pesquisadora Genevieve Oh, citado pela agência Bloomberg, entre os dias 5 e 6 de janeiro, a IA do X criou cerca de 6.700 imagens por hora com esse teor.
Reguladores internacionais investigam a IA de Musk
A gravidade da situação levou reguladores de países como Reino Unido, França, Índia e Malásia a manifestarem intenção de investigar a empresa de Musk. A França, em particular, já havia denunciado a IA do Grok por gerar conteúdo sexual explícito, incluindo material que aparentava ser de crianças em trajes mínimos, o que é considerado ilegal.
Thomas Regnier, porta-voz da Comissão Europeia para assuntos digitais, classificou a situação como "revoltante" e ilegal, destacando o "modo picante" oferecido pelo Grok que exibe conteúdo sexual explícito.
O que diz a lei brasileira sobre deepfake e nudez falsa
A advogada especialista em direito digital, Patrícia Peck, explica que, pela lei brasileira, a criação e o compartilhamento de imagens íntimas falsas sem autorização configuram crime. A pena pode incluir prisão de seis meses a dois anos, além de multa, especialmente com a Lei nº 15.123/2025, que aborda explicitamente o uso de inteligência artificial em casos de dano emocional à mulher.
De acordo com a especialista, quem cria o pedido (o "prompt") para a IA gerar o conteúdo é considerado o autor direto do crime. Da mesma forma, quem compartilha essas imagens falsas também comete um delito, pois amplia o dano à vítima.
Como se proteger e denunciar o uso indevido de imagens
Para se defender, é fundamental preservar todas as provas, como prints do perfil do responsável, da imagem gerada, comentários e o link da postagem. Utilizar ferramentas de registro de prova digital com validade jurídica, como a ata notarial, pode ser crucial.
É importante também denunciar o conteúdo na própria plataforma, utilizando os mecanismos internos do X. O Marco Civil da Internet garante a remoção rápida de conteúdo íntimo não consensual após notificação. Por fim, registrar um Boletim de Ocorrência em uma Delegacia de Crimes Cibernéticos ou pela internet é um passo essencial para buscar a responsabilização.
Em resposta às denúncias, o X afirmou que "qualquer pessoa que use ou incentive o Grok a criar conteúdo ilegal sofrerá as mesmas consequências que quem enviar conteúdo ilegal". A empresa também declarou que toma medidas contra conteúdos ilegais, como o Material de Abuso Sexual Infantil, removendo-os e suspendendo contas.
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