Refinarias dos EUA ganham com petróleo venezuelano, diz Valero

O aumento da oferta de petróleo venezuelano tende a beneficiar sobretudo as refinarias dos EUA, que têm infraestrutura preparada para óleo pesado.
Essas refinarias, ao contrário das grandes produtoras, não precisam assumir contratos de longo prazo nem enviar equipes ao país, reduzindo os riscos operacionais.
Investidores já reagiram ao movimento em torno da Venezuela, enquanto o governo dos EUA esboçou um plano envolvendo de 30 milhões a 50 milhões de barris,
conforme informação divulgada pelo The New York Times.
Por que o petróleo venezuelano interessa às refinarias dos EUA
O principal tipo de petróleo bruto da Venezuela é especialmente difícil de processar, viscoso e semelhante a piche, e, por essa razão, em geral é mais barato que variedades americanas.
Isso o torna atraente para refinarias da Costa do Golfo dos EUA, que dispõem de equipamentos adequados, e pela proximidade, reduzindo custos de transporte.
Rick Weyen, executivo aposentado que coordenava envio de petróleo para uma refinaria no Texas, resumiu a percepção do setor, "Ter mais petróleo bruto venezuelano disponível é só vantagem para as refinarias dos EUA".
Quem tende a lucrar, e como o mercado reagiu
Empresas como Valero Energy e Marathon Petroleum estão bem posicionadas, porque adaptaram instalações décadas atrás pensando nesse tipo de óleo pesado.
As ações da PBF Energy, uma empresa de refino de porte médio, subiram 15% desde que forças dos EUA capturaram Nicolás Maduro, superando o mercado por ampla margem, segundo o NYT.
Valero e Marathon, muito maiores, viram seus papéis avançarem cerca de 10% e 6%, respectivamente.
Lane Riggs, CEO da Valero, afirmou que a companhia está "mais do que feliz à medida que essa oportunidade se expande para investir ainda mais em nossas refinarias e produzir mais", durante reunião entre executivos do setor e o governo dos EUA.
Além disso, a Valero, sediada em San Antonio, tem sido uma das maiores compradoras de petróleo venezuelano nos EUA, segundo uma análise de dados federais feita pelo banco de investimentos TD Cowen. A Marathon disse que pretende disputar cargas de petróleo venezuelano.
Impacto nos preços, nos produtores e nos limites da oferta
Se mais petróleo barato chegar aos EUA, os consumidores americanos provavelmente se beneficiarão de combustíveis mais em conta, especialmente diesel e querosene de aviação, embora a queda possa ser modesta.
A Venezuela produz apenas cerca de 1% do petróleo mundial, e o aumento relevante levaria tempo, segundo o NYT.
Em 2018, antes de sanções mais duras, os Estados Unidos importavam cerca de 506 mil barris de petróleo do país por dia, mostram dados federais, e, no outono passado, essas importações haviam caído cerca de 75%.
O governo esboçou um plano para controlar inicialmente entre 30 milhões a 50 milhões de barris, mas como observou Doug Terreson, ex-analista de energia, mesmo esse volume é pequeno frente à capacidade dos EUA, "É uma quantidade relevante de petróleo? Não atrapalha, mas são dois dias de oferta", lembrando que os Estados Unidos refinam cerca de 17 milhões de barris de petróleo por dia.
Riscos e questões de longo prazo
Há incertezas sobre se a Venezuela conseguirá aumentar a produção de forma sustentada, e em que ritmo isso ocorreria.
Outra preocupação é ambiental, já que produzir e transportar o petróleo pesado da Venezuela gera muito mais emissões de gases de efeito estufa, o que pode torná-lo menos atraente para empresas e governos que priorizam metas climáticas.
No curto prazo, as refinarias dos EUA parecem ser as maiores beneficiadas pela mudança no fluxo de petróleo venezuelano, porém fatores políticos, logísticos e ambientais vão determinar o tamanho real do ganho no futuro.

