Rússia Tenta Bloquear WhatsApp: Governo Força Uso de App de Vigilância Estatal?

Rússia tenta "bloquear completamente" WhatsApp, diz plataforma
O WhatsApp declarou que o governo russo tentou **"bloquear completamente"** o serviço de mensagens no país. A empresa, pertencente à Meta, manifestou preocupação com a tentativa de isolar mais de 100 milhões de usuários de uma comunicação privada e segura, o que, segundo eles, representa um retrocesso e pode levar a menos segurança para os cidadãos russos.
A plataforma de mensagens afirma que uma das principais razões por trás dessa tentativa de bloqueio seria um esforço para direcionar os usuários para um **"aplicativo de vigilância estatal"**. Essa medida se insere em um contexto de crescente pressão do governo russo para que a população utilize plataformas de comunicação desenvolvidas pelo próprio Estado.
Essa ação ocorre em um momento em que o Kremlin tem intensificado as restrições a aplicativos de mensagens, alegando que plataformas como WhatsApp e Telegram se recusam a armazenar dados de usuários russos no país, conforme exigido por lei. A agência reguladora de comunicações russa, Roskomnadzor, tem emitido alertas repetidos ao WhatsApp para que cumpra a legislação local. Conforme noticiado pela agência estatal Tass Media no início deste ano, o WhatsApp estaria programado para ser **bloqueado permanentemente na Rússia em 2026**.
O "Super Aplicativo" Russo e a Vigilância Estatal
Há meses, o governo russo tem promovido o uso do **Max**, uma plataforma de comunicação desenvolvida pelo Estado e comparada ao WeChat da China. Este "super aplicativo" integra mensagens e serviços governamentais, mas **sem criptografia**, o que levanta sérias preocupações sobre vigilância e controle de dados.
Desde 2025, as autoridades russas exigem que o aplicativo Max seja **pré-instalado em todos os novos dispositivos** vendidos no país. Além disso, funcionários públicos, professores e estudantes são obrigados a utilizar a plataforma em suas atividades.
Restrições e o Contexto Global
Aplicativos da Meta, como Instagram e Facebook, já foram bloqueados na Rússia desde 2022 e só podem ser acessados através de redes virtuais privadas (VPNs). O diretor executivo do Telegram, Pavel Durov, já comentou que o Estado russo estaria restringindo o acesso ao seu serviço em uma tentativa de forçar a população a usar seu próprio aplicativo, com fins de vigilância e censura política.
Durov comparou a situação a uma estratégia semelhante tentada pelo Irã para banir o Telegram e forçar o uso de uma alternativa estatal, mas ressaltou que os cidadãos encontraram maneiras de contornar essas restrições. Ele enfatizou que **"restringir a liberdade dos cidadãos nunca é a resposta certa"**.
Esforços para Manter a Conexão
Em seu comunicado, o WhatsApp afirmou que **"continua fazendo tudo o que pode para manter os usuários conectados"**. A empresa reforça que a tentativa de bloqueio representa um movimento contra a liberdade de comunicação e a segurança dos usuários na Rússia.
O Kremlin foi contatado pela BBC para comentar a situação, mas até o momento não emitiu resposta oficial sobre as alegações do WhatsApp.
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