Trump avalia ataque ao Irã e planos para ofensiva maior

O governo dos Estados Unidos estuda a possibilidade de um ataque ao Irã como medida inicial, seguido por uma ofensiva mais ampla nos meses seguintes, caso Teerã não aceite restrições ao seu programa nuclear.
Fontes informaram que o presidente Donald Trump tem se inclinado a ações militares nos próximos dias para pressionar a liderança iraniana a abandonar capacidades que poderiam levar à arma nuclear.
As negociações entre Estados Unidos e Irã em Genebra são vistas como uma última tentativa de evitar o conflito, conforme informação divulgada por autoridades americanas com conhecimento das discussões.
O que foi discutido nos bastidores
Em uma reunião na Sala de Situação da Casa Branca, Trump avaliou várias opções com seus conselheiros mais próximos, incluindo um ataque inicial para demonstrar força, e a possibilidade de uma ofensiva maior destinada a retirar líderes do poder.
Participaram do encontro o vice-presidente J. D. Vance, o secretário de Estado Marco Rubio, o general Dan Caine, o diretor da CIA John Ratcliffe, e a chefe de gabinete Susie Wiles, entre outros entrevistados por autoridades que pediram anonimato.
Segundo essas fontes, nenhuma decisão final foi tomada, mas a opção de um ataque ao Irã de demonstração ganhou apoio em debates internos.
Alvos em avaliação e limitações militares
Os alvos considerados variam do quartel-general da Guarda Revolucionária a instalações nucleares e ao programa de mísseis balísticos iraniano, além de outras infraestruturas estratégicas.
Oficiais militares alertaram que alcançar o objetivo de derrubar a liderança apenas com ataques aéreos é incerto, e reconheceram a complexidade de atingir instalações profundamente enterradas e protegidas.
Também foram mencionadas restrições logísticas, dado que dois grupos de porta-aviões e dezenas de caças, bombardeiros e aviões-tanque já estão posicionados a uma distância de ataque do Irã.
Opções em solo e preocupações internas
Planos anteriores incluíam inserir equipes de forças especiais para destruir instalações nucleares, mas essas operações exigiriam permanência prolongada em território iraniano, aumentando riscos e complexidade operacional.
Autoridades do Exército, Marinha e Força Aérea expressaram receio sobre o impacto que uma guerra prolongada ou uma preparação contínua para ela teria sobre a prontidão, incluindo a disponibilidade de navios, sistemas Patriot e aeronaves de transporte e vigilância.
No debate interno, o general Dan Caine avaliou a capacidade operacional, mas não ofereceu garantias de sucesso semelhantes às apresentadas em outra operação recente mencionada, e J. D. Vance cobrou avaliações detalhadas sobre riscos e consequências.
Alternativa diplomática, proposta da AIEA e posições públicas
Como alternativa ao conflito, ambos os lados avaliaram uma proposta de último minuto do diretor-geral da AIEA, Rafael Grossi, para permitir um programa de enriquecimento nuclear muito limitado, exclusivo para pesquisa e produção de isótopos médicos.
A proposta criaria uma via política para o Irã afirmar que ainda enriquece urânio, enquanto os Estados Unidos e aliados garantiriam o fechamento de instalações que permitiriam a fabricação de uma arma.
Por ora, não está claro se o Irã aceitaria reduzir um programa industrial no qual investiu bilhões de dólares, nem se a administração Trump flexibilizaria sua exigência pública de "enriquecimento zero".
Declarações, motivação e riscos regionais
Em comunicado, a porta-voz da Casa Branca Anna Kelly disse, "A mídia pode continuar especulando sobre o que o presidente está pensando o quanto quiser, mas apenas o presidente Trump sabe o que pode ou não fazer".
Steve Witkoff, enviado especial do presidente, afirmou à Fox News que a política do governo, segundo ele, tem uma "diretriz clara" de buscar o fim do enriquecimento, enquanto o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, declarou que o país não vai abrir mão do que considera seu "direito" de produzir combustível nuclear sob o Tratado de Não Proliferação.
Observadores europeus e especialistas em segurança, citados por participantes da Conferência de Munique, duvidam que a pressão militar leve a liderança iraniana a abandonar um programa que se tornou símbolo de resistência, e alertam para uma possível resposta nacionalista dentro do próprio Irã.
Próximos passos e impacto político
Negociadores americanos e iranianos devem se reunir em Genebra, em uma tentativa que pode ser decisiva para evitar confrontos, enquanto a Casa Branca mantém opções militares sobre a mesa.
Se não houver acordo, fontes afirmam que Trump deixaria em aberto a possibilidade de um ataque ainda este ano, com a intenção explícita de enfraquecer ou retirar do poder a liderança suprema do Irã.
O país tem mais de 90 milhões de habitantes, e qualquer ação militar terá repercussões regionais e globais, inclusive sobre aliados como Israel e sobre grupos como Hamas e Hezbollah, citados entre as justificativas públicas para a pressão contra Teerã.
Mesmo com risco elevado, e dúvidas dentro do próprio governo sobre eficácia e custo, a administração mantém uma janela para a diplomacia, que pode definir se o caminho escolhido será a negociação, um ataque limitado, ou uma ofensiva maior nos meses seguintes.

